Tem festa no terreiro
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quarta-feira, 05 de junho de 2002
Lilian Primi<br>Especial para a Agência Estado 
O fim da colheita de verão, em março e abril, marca também o início do período de festas no interior do País, que se prolonga até o final de agosto. Com dinheiro no bolso e livres da lida diária na lavoura, a população rural dedica o tempo livre para organizar festas que servem para escoar a produção e para agradecer a fartura. Além das tradicionais festas juninas, há festas do peão, multiplicadas em progressão geométrica a cada ano, outras para festejar a colheita ou do colono. De expressão internacional ou apenas local, tradicionais ou curiosas, todas elas repetem tradições ancestrais, nascidas em tempos remotos, quando o homem aprendeu a semear e colher o de comer.
Desafiados pelo clima, pela terra e por pragas, os primeiros agricultores do planeta acendiam tochas e fogueiras para espantar os maus espíritos que destruíam a lavoura, dançavam, cantavam e faziam oferendas em volta desses fogos para agradar aos deuses do céu, que comandam a chuva, e da terra, capazes de fazer crescer ou morrer qualquer planta. E também para agradecer a fartura da colheita.
Incapaz de fazer morrer estes festivais pagãos, o cristianismo acabou por absorvê-los, substituindo os inúmeros deuses por santos e apóstolos. Com o passar do tempo, foram descolando-se do aspecto religioso para atender necessidades mais terrenas e práticas. E assumindo características próprias das comunidades locais. Hoje, a maior parte delas com exceção das juninas serve para agilizar o escoamento da produção, atraindo turistas e movimentando a economia local.
A Festa do Peão de Barretos é o mais bem-sucedido exemplo. Espécie de versão pop de um formato que se repete em cada pequena comunidade rural do País, recebe em média 800 mil pessoas por ano e financiou ao longo dos quase 50 de existência a construção de uma estrutura única no País.
O Parque de Rodeio, com 2 milhões de metros quadrados (620 mil destinados ao estacionamento de ônibus), tem projeto de Oscar Niemeyer. O cartaz e as peças de divulgação, este ano, vêm assinados pelo artista plástico pernambucano Romero Britto, o centímetro quadrado mais caro das galerias de Miami. E as provas com cavalos e touro na arena fazem parte dos campeonatos mundiais de rodeio e recebem competidores estrangeiros e os prêmios oferecidos podem fazer a fortuna dos peões.
A 47ª edição acontece este ano de 15 a 25 de agosto e busca um perfil mais familiar, segundo os organizadores. As atividades no parque passam a começar às 10 horas e estão formatadas para atrair público de todas as faixas etárias. A organização adotou ainda o ingresso único como nos grandes parques de diversão como forma de facilitar a circulação dentro do parque.
A ambientação também está diferente. Com ajuda do carnavalesco Raul Diniz, da Rosas de Ouro, estão sendo montados um carro-de-boi gigante, que fará as vezes da fachada de um minishopping, e 40 flores também gigantes, que enfeitam a área externa do Pavilhão das Flores.
Para melhorar o atendimento aos grupos de turistas que chegam de ônibus, está sendo construída uma rodoviária de 1000 metros quadrados dentro do parque, com capacidade para receber até 30 ônibus a cada 10 minutos, com banheiros, lojas de conveniência e bancos em locais cobertos.


