Tem festa no picadeiro
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terça-feira, 09 de dezembro de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
Respeitável público! De amanhã até 14 de dezembro Londrina se transformará em um grande picadeiro para receber as atrações do V Festival de Circo de Londrina. Promovido pela Associação Londrinense de Circo, o festival terá oficinas de acrobacias, canastilha (disciplina da acrobacia que consiste em lançar pessoas no ar) e pirâmides, de segurança no circo e espetáculos com troupes nacionais e o Circo Tereré, da Argentina. Estão programados espetáculos com dois grupos de Campo Mourão (Sou + Arte e Trupe de Circo Fundacam), Troupe Raios da Alegria, de Toledo, Troupe Luz da Lua, de Foz do Iguaçu, Rosa dos Ventos, de Presidente Prudente, Troupe Volare, Projeto Circo Cidadão e Escola de Circo, todos de Londrina.
Segundo a vice-presidente da Associação Londrinense de Circo (ALC), Jerusa Rocha, o V Festival de Circo de Londrina objetiva democratizar o acesso à arte circense, promovendo espetáculos em diversos pontos da cidade, e o intercâmbio de artistas profissionais de Londrina com artistas de todo o País e da América Latina. Os destaques da programação são o cortejo com algumas troupes participantes do festival (a saída será da Escola de Circo e a chegada no Zerão onde serão realizadas apresentações) e o Cabaré, com apresentações de circo a noite toda e a participação de vários grupos e artistas.
Tanto as oficinas como os espetáculos são gratuitos. De acordo com Jerusa, serão ofertadas 125 vagas nas oficinas, nos níveis intermediário e avançado. ''Caso o número de inscritos exceda o de vagas a seleção será pelo currículo'', explica. Os interessados devem preencher a ficha de inscrição na própria Escola de Circo (Av. Higienóplis, 1849), das 14 às 18 horas.
Escola de Circo de Londrina
Criada há cinco anos, a Escola de Circo de Londrina sobrevive graças as mensalidades do curso livre e aos cachês das apresentações das troupes Volare e AeroCircus, formadas por professores e alunos do curso profissionalizante. A verba proveniente do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) custeia os salários dos professores. ''Há meses em que ficamos no vermelho'', revela a vice-presidente da ALC. De acordo com Jerusa, desde 2003 mais de 500 pessoas já passaram pelo curso livre. Este ano a Escola de Circo forma a primeira turma do curso profissionalizante. Segundo o professor Adriano dos Santos, o curso é gratuito e tem duração de quatro anos. Há aulas de manipulação de malabares, trapézio, lira, acrobacias de solo, cama elástica, mini trampolim e outras técnicas circenses. As seleções ocorrem no mês de fevereiro e a idade mínima para o ingresso no curso é 13 anos.
Segundo Jerusa, mais de 50% dos alunos do curso profissionalizante são provenientes do Projeto Circo Cidadão, que desde 2004 desenvolve oficinas de circo com crianças no Centro Esportivo Maria Cecília. Gente como Camille Amaro, 16 anos, que se forma este ano. ''Começou como uma brincadeira e quando cheguei à escola achei tudo maravilhoso, embora tivesse medo do teste. De todas as técnicas que aprendi a canastilha é a que mais gosto por ser a mais desafiadora. Meu sonho é dar aulas e integrar uma família circence'', conta. Este ano o Projeto Circo Cidadão não foi aprovado pelo Promic e as oficinas às mais de 200 crianças foram garantidas com a doação de parte dos salários dos professores.
Mas em meio a tantas dificuldades há o que comemorar. A Fundação Nacional de Artes (Funarte) concedeu bolsas de R$ 10 mil a dois projetos desenvolvidos pela Escola de Circo - lira (aro circular e de metal, uma variação do trapézio, na qual também podem ser executadas variadas coreografias) e canastilha. De acordo com Jerusa, a verba destina-se a compra de equipamentos, confecção de figurino, montagem das apresentações e os cachês dos ensaios. ''Dez jovens integram o projeto da canastilha e a ajuda recebida garante a aquisição dos passes de ônibus para que os alunos venham ensaiar'', comenta.


