Imagem ilustrativa da imagem Telinhas também prejudicam o aprendizado
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Entre as consequências do excesso de uso dos meios tecnológicos estão o aumento da ansiedade, a dificuldade de estabelecer relações em sociedade, o estímulo à sexualização precoce, o baixo rendimento escolar, a adesão ao cyberbullying, o comportamento violento ou agressivo, os transtornos de sono e de alimentação



A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) divulgou em 2016 um manual de orientação para médicos, pais, educadores, crianças e adolescentes sob o tema "Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital". O documento inédito no País foi inspirado em quase 30 estudos e recomendações internacionais, porém, adaptados à realidade nacional. Entre eles está o levantamento "Tic Kids Online – Brasil de 2015", realizado pelo Comitê Gestor da Internet e pelo Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação), que mapeou o perfil e os hábitos das crianças e adolescentes com acesso à internet no Brasil. O trabalho ainda aborda o uso indiscriminado de televisores, um dos aparelhos mais populares nas residências brasileiras.

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De acordo com a SBP, estudos científicos comprovam que a tecnologia influencia comportamentos, sobretudo na adoção de hábitos, muitos deles inadequados, desde os primeiros anos da infância. E entre as consequências estão o aumento da ansiedade, a dificuldade de estabelecer relações em sociedade, o estímulo à sexualização precoce, a adesão ao cyberbullying, o comportamento violento ou agressivo, os transtornos de sono e de alimentação, o baixo rendimento escolar, as lesões por esforço repetitivo e a exposição precoce a drogas, entre outros. Todos com efeitos danosos para a saúde individual e coletiva, incluindo graves reflexos para o ambiente familiar e escolar. O manual está disponível no site www.sbp.com.br.

O manual de orientação visa, portanto, mostrar caminhos possíveis e saudáveis no ambiente residencial e, também, escolar, justamente por estas utilizarem instrumentos tecnológicos como ferramentas pedagógicas para garantir uma aula mais atrativa, com maior participação dos alunos e retenção do conteúdo de forma mais prazerosa e lúdica, para resultar numa aprendizagem significativa. Dentre os aparelhos mais utilizados estão os notebooks, tablets, celulares e televisores, seja para reprodução de vídeos, imagens e músicas, bem como pesquisas na internet. Isso acontece em um ambiente totalmente monitorado, seja pelo tempo exposição ou pelo conteúdo mostrado. Quando a situação sai da escola e vai para as residências, a responsabilidade deste acompanhamento, obrigatoriamente, recai sobre os pais e familiares.

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Acompanhamento de responsáveis
Segundo Ana Regina Caminha Braga, psicopedagoga e especialista em educação especial e gestão escolar, em Curitiba, fazer uso de televisão ou computador nos próprios quartos não é recomendado para crianças menores de 10 anos. "A programação destinada a esse público é quase nula e, com o avanço tecnológico, a tarefa de pais e responsáveis ficou ainda mais difícil." Para ela, o que os pais lutam para construir dentro de casa e na escola, muitas vezes, a televisão e sites consegue acabar em alguns minutos, por isso, o grande desafio é lidar com muita informação sem privar os pequenos. "O nosso papel em casa e na escola é orientar. Se os pais ou responsáveis não estão perto para acompanhar, e se há uma pessoa com as crianças, é o momento de instruí-la, ou dizer pelo menos o que é permitido ou não", comenta.

Ela explica que, ao assistir a determinado programa ou vídeo, a criança reflete sobre o que vê, faz conexões com a sua realidade, abstrai os pontos positivos ou negativos daquilo que visualiza. Então, a melhor maneira de lidar com essa situação é conversando com ela e explicando qual é o objetivo daquele programa, levando-a a realidade. "Depois, evitar ao máximo o seu acesso a eles, deixando esse tempo para que a criança tenha oportunidade de desenvolver atividades que ajudem significativamente no seu aprendizado e evolução", completa, reforçando a importância da mediação pedagógica dos educadores e acompanhamento dos responsáveis com relação à qualidade dos programas, no sentido de ensinar as crianças a assistirem conteúdos de maneira crítica desde cedo.

Dessa forma, pelo uso indiscriminado dos meios tecnológicos de comunicação, em especial a televisão (devido sua grande inserção como meio de comunicação de maior entretenimento e de mais fácil acesso na comunidade global atual), de acordo com Braga, a atenção deve ser redobrada, sendo que deve-se saber usar de forma inteligente esse meio de comunicação, para que, além da diversão, possa obter informações e conhecimentos úteis. "Apesar da democratização da internet, ainda hoje, a televisão é o veículo de comunicação de maior alcance no país com relação à entretenimento e informação, o mais utilizado pelos brasileiros, e as crianças não ficam de fora. Assim, tão importante quanto o tempo de exposição é o conteúdo que as crianças estão assistindo."

Tempo de exposição
As primeiras orientações do manual da SBP chamam a atenção para o tempo de uso da tecnologia digital, também denominado tempo de tela. Neste contexto, a entidade pede que esse período seja limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento "cerebral-mental-cognitivo-psicossocial" das crianças e adolescentes. A pedagoga lembra que, quanto mais rica e diversificada for a estimulação sensorial, principalmente, para as crianças, mais ativa e complexa será a rede de informação desenvolvida por elas, "pois o potencial infantil é como uma semente que requer nutrição para evoluir." Outras orientações para tempo de exposição de acordo com o idade da crianças também estão disponíveis no manual da entidade.

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