O poeta anglo-americano T.S. Eliot (1888-1965), um dos gigantes do século 20, atribuía à poesia uma missão civilizadora. Dizia que sua função era ''preservar a língua'' defendendo os valores do espírito contra a bárbarie.
Seu poema ''A Terra Devastada (The Waste Land)'' foi a mais nobre ilustração do argumento. Quando foi publicado, virou uma espécie de canção pop sendo recitado nas ruas pelos estudantes. Nenhum outro poema havia capturado com tanta agudeza as aflições da época.
''A Terra Devastada'', que no Brasil foi traduzido também como ''A Terra Desolada'', é tema do documentário que a TV Cultura exibe hoje às 22h30 dentro da série Grandes Mestres da Literatura. A poesia é lida por Edward Fox, Eileen Atkins e Michael Gough. A natureza complexa do texto é esmiuçada por Stephen Spender e Craig Raine (ambos poetas), Peter Ackroyd (biógrafo de Eliot) e Frank Kermode (professor).
Eles analisam seu apelo e reconstituem a maneira pela qual aquilo que começou com uma série desconexa de fragmentos poéticos se transformou no mais famoso poema modernista do início do século 20. Publicado em 1922, ''A Terra Devastada'' gerou controvérsias posteriores. A primeira mulher do autor, Vivienne, teria reescrito alguns trechos e sugerido o título.
Mas caberia ao poeta Ezra Pound, mentor de Eliot, dar-lhe a forma final cortando no original o que parecia acessório. Repleto de referências e citações, o poema vem acompanhado de um conjunto de notas redigidas pelo próprio autor onde ele explica como e porque utilizou as figuras do tarô, emprestou versos de ''Tristão e Isolda'' de Wagner ou ainda parafraseou Baudelaire.
Com 446 versos, o poema gira em torno da desolação do caos moderno, a solidão inconsolável, o medo da morte inevitável e a descrença em deuses e filosofia. Mas temática à parte, os críticos e estudiosos da obra nunca deixaram de ressaltar características como a musicalidade, a erudição, a metrificação inovadora e o uso extensivo do coloquial misturado com o obscuro.

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