TELEVISÃO/MEMÓRIA - Entre frutas, legumes e verduras
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Ana Clara Werneck<br> TV Press 
''Dona Xepa'' foi ao ar há 30 anos, contando a história de uma feirante abandonada pelo marido que durante toda a vida luta pelos filhos, mas termina por se ver afastada deles. A novela, baseada na peça teatral homônima de Pedro Bloch, tinha a assinatura de Gilberto Braga. Dona Xepa, ou Carlota Soares da Costa, era interpretada por Yara Cortes, falecida em 2002. Seu bordão era ''Ai, meus pé...Ai, meus calo!''. Reynaldo Gonzaga era Edson, o filho que sonhava em ser escritor. Nívea Maria, Rosália, em sua primeira antagonista, uma jovem cujo objetivo de vida era casar-se com um homem rico. O rapaz ''fisgado'' pela ambiciosa moça atendia pelo nome de Heitor, interpretado por Rubens de Falco. ''Queria mudar a imagem de 'Moreninha', de mocinha das histórias. Pedi o papel ao Herval Rossano'', revela, referindo-se ao diretor da novela, com quem era casada na época.
Não foi só para Nívea Maria que ''Dona Xepa'' representou uma grande mudança. Até então, todas as novelas das seis eram tramas de época. A sugestão de abordar uma temática contemporânea foi de Gilberto Braga, e a repercussão não poderia ter sido melhor. ''Dona Xepa'', que foi ao ar pela primeira vez em 24 de maio de 1977, alcançou a maior audiência no horário, o que rendeu a Gilberto um convite para ingressar no seleto time de autores do horário nobre, ainda durante as gravações. ''Neste momento, minha relação com o Herval Rossano entrou em crise. Ele era muito ciumento, ficou aborrecido'', recorda o escritor. A estréia de Gilberto Braga no horário das oito foi em ''Dancin' Days'', exibida pela Globo em 1978, outro grande sucesso.
Se para uns Herval Rossano, falecido no último dia 9 de maio, era uma figura controversa, por outros era considerado um diretor de idéias progressistas. ''Herval foi o responsável pela entrada dos negros na televisão'', afirma Neuza Borges, a intérprete de Rosemary, empregada de Glorita, mãe de Heitor. A sogra impedia que Rosália mantivesse contato com a mãe depois de casada. Rosemary então atuava como espiã de Xepa na casa da detestável alpinista social, vivida por Ana Lucia Torre.
Herval, aliás, tinha uma relação peculiar com a história de ''Dona Xepa''. No filme homônimo, dirigido por Darcy Evangelista, em 1959, ele encarnava Edson. Reynaldo Gonzaga, que viveu o mesmo personagem na tevê, guarda boas recordações do trabalho. '''Dona Xepa' foi vendida para dez países. Lembro de ter viajado para Portugal para divulgá-la, onde fez muito sucesso'', conta o ator, atualmente no ar como o João de ''Paixões Proibidas''.
''Dona Xepa'' ficou no ar por exatos cinco meses, até o dia 24 de outubro de 1977. O último deles foi especial para Gilberto Braga. ''Tive de imobilizar totalmente o braço direito. Passei esse período ditando a novela, foi um martírio'', lembra o autor. Devido ao enorme sucesso, ''Dona Xepa'' foi a primeira novela a ser reprisada no ''Vale a Pena Ver de Novo'', em 1980. Também mereceu um compacto de uma hora e meia no mesmo ano, apresentado por Yara Cortes.
Além disso, foi fonte de inspiração de outra produção, ''Lua Cheia de Amor'', exibida em 1990. Nesta novela, que teve supervisão de texto de Gilberto Braga, os conflitos de Xepa foram transferidos para a camelô Genu, vivida por Marília Pêra. ''Foi uma idéia da direção da Globo. Mas a novela, a meu ver, saiu totalmente diferente da original. Eu diria que acabou sendo uma novela original mesmo'', pondera Gilberto, a respeito do fracasso de ''Lua Cheia de Amor''.


