Lázaro Ramos está podendo. O baiano de 28 anos, que já era reconhecido pela crítica como um grande ator desde 2002, quando atuou no filme ''Madame Satã'', agora caiu no gosto do grande público. Na pele de Foguinho, o malandro boa-praça de ''Cobras & Lagartos'', tem todas as atenções da trama voltadas para si. ''As pessoas me paravam na rua antes, mas era diferente. Pela primeira vez, tem gente que quer me tocar, ver se o bigode é de verdade, dão até conselhos para o Foguinho'', afirma Ramos.
Criador do personagem, o autor João Emanuel Carneiro afirma que Foguinho é o alicerce de sua novela. De acordo com o escritor, no começo, o personagem foi pensado branco. Foi a idéia de ter Ramos no elenco que o fez mudar de idéia, mas, segundo Carneiro, as características não foram alteradas por conta da mudança. ''Para interpretar o Foguinho, é necessário muita humanidade, tem de ter um senso de tragédia e um lado cômico que poucos atores conseguem equilibrar'', afirma o autor, que diz que Lázaro consegue transmitir o paradoxo que é ser Foguinho. E não é só do autor que Ramos recebe elogios. Segundo Maria Lourdes Motter, coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Telenovelas da Universidade de São Paulo, o ator tem qualidades imprescindíveis para o personagem. ''Esse lado carismático e simpático do Lázaro é essencial para o Foguinho. Ele superou as expectativas.'' Ainda segundo a pesquisadora, o sucesso de Foguinho se deve à malandragem ingênua que ele tem. Se ele fosse somente interesseiro, por exemplo, não seria tão querido pelo público. Ramos também tem sua definição para o personagem: ''Mais do que se dar bem, o que ele quer é ser amado. Essa carência faz com que as pessoas gostem dele''.
Mas muito antes de Foguinho aparecer na vida do ator, o baiano já sentia vocação para os palcos. Na infância, diz, sempre era o menino que escolhiam para fazer o teatrinho de fim de ano. Aos 10 anos, uma prima o chamou para substituir um menino na peça ''A Bruxinha que Era Boa'', de Maria Clara Machado. A partir daí, atuar se tornou uma paixão.
Aos 15 anos, ingressou no Bando de Teatro Olodum, que considera uma influência até hoje e no qual aprendeu a improvisar característica citada pelos colegas como uma de suas maiores qualidades. Com o tempo, conheceu outros jovens atores da cena teatral baiana. Entre eles, Wagner Moura, que se tornou seu melhor amigo. Apesar de serem de grupos diferentes, ensaiavam no mesmo local e assistiam às peças um do outro. ''Com o passar do tempo, criamos uma admiração recíproca e um carinho muito grande um pelo outro'', conta Moura.Outro ator da mesma geração é Vladimir Brichta, que convive com o ator há mais de dez anos. ''Ele é um cavalheiro, em todos os sentidos'', elogia.
A ''turma da Bahia'' chegou ao Rio em 1999 para os ensaios da peça ''A Máquina'', um divisor de águas na carreira de todos eles. Junto a Gustavo Falcão, que veio do Recife, todos interpretavam o protagonista Antônio. Foi quando Gustavo conheceu Ramos.
Responsável pela ''descoberta'' dos atores Ramos entre eles , o diretor João Falcão também se derrete em elogios ao ator. ''É uma alegria estar com o Lázaro em qualquer produção'', conta João, que depois dirigiu a comédia ''Mamãe Não Pode Saber'', com o ator no elenco. Para Falcão, além do talento, Ramos traz tranquilidade e humor para o trabalho.
Bom humor, talento, simpatia, cavalheirismo, simplicidade. Os amigos não hesitam em exaltar as qualidades do ator. Quanto aos defeitos, é Ramos quem confessa. ''Sou muito cabeça-dura, sempre quero as coisas do meu jeito'', ele admite. Mas logo conserta e assume que o ''defeito'' não é tão ruim assim, porque o leva a pensar sempre em novos projetos.
Essa característica empreendedora é a mais admirada pela mulher, Taís Araújo, que está com o ator há dois anos e atualmente divide a cena com ele na novela ''Cobras & Lagartos''. A intérprete da vilã Ellen se derrete em elogios e diz que Lázaro é um ator acima da média. ''Na vida pessoal, admiro a capacidade que ele tem de realizar o que quer que seja, ele sempre tem vários projetos e luta para realizá-los.''

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