Seis décadas se passaram desde que a uma menina de 5 anos, vestida de índia, anunciou: ''Boa noite, está no ar a TV do Brasil''. A imagem foi a primeira transmissão da televisão brasileira, feita pela TV Tupi, no dia 18 de setembro de 1950. De lá para cá, quase tudo mudou. A TV cresceu, tornou-se o principal veículo de comunicação do país e tomou proporções que talvez nem Assis Chateaubriand, jornalista e fundador da TV Tupi, em seus maiores sonhos, pudesse imaginar.
Hoje, aos 60 anos de idade, a televisão passa por um novo momento de revolução, repleto de novidades tecnológicas, que prometem ter reflexo na programação dos canais abertos e, principalmente, na experiência de assistir à TV. ''A televisão está sofrendo um tsunami tecnológico'', afirma o professor Vagner Matrone, coordenador do curso de rádio e TV da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).
Segundo Matrone, em um futuro próximo, a emissora não decidirá mais o que o telespectador irá ver. ''Com a ajuda de recursos interativos, o telespectador ganha status de usuário, assistindo ao programa que quiser, quando for mais conveniente.''
A interatividade deve ser uma das grandes apostas da televisão brasileira nos próximos anos. ''Para o telespectador, é uma oportunidade de acessar um conjunto de informações complementares a respeito do programa a que está assistindo. Isso melhora e amplia a experiência de ver televisão'', define Raymundo Barros, diretor de engenharia da Rede Globo.
Os primeiros aparelhos que permitem esse tipo de interação - identificados pelo selo DTVi - foram lançados apenas no primeiro semestre deste ano e ainda custam caro - um televisor não sai por menos de R$ 3.000. Porém emissoras como a Globo, a Bandeirantes e a Rede TV! já investem pesado na área.
A Globo tem aplicativos interativos para as novelas ''Ti-ti-ti'' e ''Passione'' e para o Campeonato Brasileiro. ''Nas novelas, as pessoas têm acesso ao perfil dos personagens, à sinopse dos capítulos e às enquetes, que podem ajudar a emissora a entender o que os telespectadores estão percebendo'', explica Barros. ''No caso do Brasileirão, o espectador tem, em tempo real, uma tabela dinâmica com a classificação do campeonato, na qual pode checar como está a situação do seu time. Ele poderá ainda participar de enquetes e saber qual é o bolão da rodada'', acrescenta o executivo.
A Band também apostou em um aplicativo para o Campeonato Brasileiro. ''O telespectador pode ver os resultados da rodada, a tabela, a escalação dos times, as estatísticas e a programação dos próximos jogos'', diz Luis Renato Olivalves, diretor de interatividade da emissora.
A Rede TV! ainda não lançou nenhum aplicativo, mas, segundo Kalled Adib, superintendente de operações do canal, a partir do mês que vem, o público já poderá interagir com alguns programas da emissora. ''Nossa preocupação é fornecer um conteúdo de qualidade gratuito'', resume.

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