TELEVISÃO - Volta por cima
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de março de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Aos 46 anos, Felipe Camargo renova seu ânimo para se dedicar à televisão. O ator, que viveu uma fase de galã nos anos 80, admite que há 20 anos não tinha o prazer de interpretar um papel tão complexo quanto o conquistador Alberto de ''Paixões Proibidas''. ''Essa novela tem o mesmo peso de 'Anos Dourados' e 'Roda de Fogo' na minha carreira'', afirma. Na época em que foi convidado para entrar na novela da Band, Felipe ainda tinha contrato com a Globo por conta de sua participação na novela ''Cobras & Lagartos''. Não hesitou, pediu a rescisão e não se arrepende. ''Lugar algum traz a mesma visibilidade que a Globo. Mas a Band está investindo em teledramaturgia depois de anos se especializando em esportes. É um começo'', torce.
Essa não é a primeira vez que o ator assina contrato com a Band. Quando foi afastado do elenco de ''Pátria Minha'' sob a justificativa de indisciplina, Felipe foi convidado para estrelar ao lado de Betty Faria e Ângela Vieira a novela ''A Idade da Loba'' na emissora. Pouco tempo depois, decidiu parar tudo e colocar sua vida no lugar. Se desintoxicou, largou as drogas e reconstruiu sua carreira. ''Foi no momento certo. Se não tivesse passado por esse processo, talvez não estivesse vivo hoje'', desabafa.
Você pediu para a Globo rescindir seu contrato antes do tempo para entrar em ''Paixões Proibidas''. O que lhe fez tomar essa decisão?
Acho essa novela uma das melhores que já fiz em termos de texto. O Aimar pegou três livros e juntou numa história, então trama é o que não falta. Enxerguei diálogos inteligentes e bem-humorados. Posso dizer que, independente da audiência, o Alberto é um dos melhores personagens da minha carreira. Há muitos anos não ganhava um papel tão bom. Fiz o Marcos, de ''Anos Dourados'', o Pedro, de ''Roda de Fogo'', e o Alberto, de ''Paixões Proibidas''. Esses são meus marcos na carreira televisiva, personagens com conflito.
Você protagonizou ''Mandala'' ao lado da Vera Fischer. Você se lembra com carinho dessa época?
Sinceramente, eu criei uma expectativa enorme em relação à novela. Imaginava que poderia ser fiel à obra ''Édipo Rei'', então estudei muito a tragédia. É claro que ficava difícil explorar um personagem matando o pai, casando com a mãe, tendo três filhos que também são seus irmãos e, depois, vendo a mãe se matar e furando os olhos para sair vagando. A Globo não faria isso no horário nobre. Em termos populares, foi a novela que mais me projetou. Mas não mexeu muito com meu prazer de trabalhar e estudar, de gravar as cenas.
Sua carreira ficou estremecida na década de 90. Como foi esse período para você?
Tive alguns problemas particulares, mas a própria tevê suga muito, expõe muito e, depois, encosta você. São raros os atores que ficam sempre em evidência. Tony Ramos, Tarcísio Meira, Lima Duarte, Antônio Fagundes e mais quem? Tirando eles, vários nomes tiveram um período de ostracismo e depois voltaram. A minha base é sólida, me fez continuar trabalhando mesmo sem aquela evidência. Me sustentei fazendo também cinema e teatro.
Você se sentiu massacrado pela mídia?
Eu conheci a Vera Fischer trabalhando. Ela era a mulher mais desejada do país e eu, o garotão protagonista da novela das oito. Era assim que todo mundo pensava. Aí, quando a Vera se separou, todos acharam que ela iria ficar solteira. De repente chega o garotão e conquista a musa... Ah, a imprensa não me perdoou por isso. Começaram a me caçar, qualquer coisa que eu fazia aparecia na imprensa. A gente teve uma relação tumultuada sim, mas eu e ela não éramos as únicas pessoas que aprontavam. Mas são águas passadas.
Você foi chamado para fazer ''O Que É Isso, Companheiro'' e recusou, alegando que precisava se desintoxicar das drogas. O que fez com que tomasse essa decisão?
Eu tinha que me tratar. Estava com medo de não conseguir arcar com minhas responsabilidades, então fiquei seis meses em função disso. Hoje, tenho certeza de que foi fundamental para minha sobrevivência. Cometi vários deslizes, mas fui muito homem de assumir isso, ainda mais publicamente. Sem essa postura, hoje eu não estaria trabalhando aqui.


