Após sete anos consecutivos de sucesso na Globo, ''A Grande Família'' se consolida como o humorístico de maior audiência da televisão brasileira - nessa temporada, o programa atingiu, de abril a 14 de junho, média de 37 pontos de audiência. A família também ficou mais numerosa e viu seu universo ser expandido para que pudesse dar conta das trapalhadas comandadas por Dona Nenê (Marieta Severo) e Lineu (Marco Nanini).
Os novos personagens incorporados à história e o relacionamento intenso de seus integrantes ganhou maturidade até para tratar de um assunto delicado para a maioria das famílias de classe média: a separação. ''Essa é uma fase em que os personagens já podem discutir temas mais sérios, ainda que de forma bem-humorada'', afirma Maurício Farias, um dos diretores do programa humorístico.
A maturidade citada por Farias também pode ser vista no cotidiano das gravações. A convivência de seis anos deu a atores, diretores e equipe de produção a afinidade necessária para criar o clima descontraído apresentado nos episódios. ''É a combinação de um elenco forte e de temas que são facilmente entendidos pelos brasileiros'', avalia o ator Paulo Betti, que faz uma participação especial na série. Seu personagem, Carlinhos, será o pivô da reaproximação de Nenê e Lineu, que estão separados desde o início desta sétima temporada. ''Ele veio ameaçar o relacionamento dos dois, só que sua chegada terá o efeito contrário'', revela.
Impressionado com a afinidade da equipe, Betti é um dos atores que não se cansa de citar as vantagens de trabalhar com um elenco que está junto há anos. ''É como se a gente chegasse na casa de familiares próximos que não víamos há muito tempo'', define.
Perdas- Tanta sintonia não é para menos. Com estréia em março de 2001, a ''Grande Família'' ainda guarda algumas características da primeira versão do programa, exibido entre 1972 e 1975. Com Jorge Dória no papel de Lineu e Eloísa Mafalda no de Dona Nenê, a série foi suspensa após a morte de Oduvaldo em 1974.
A versão atual também sofreu perdas. Em 2003, a família sentiu a morte do ator Rogério Cardoso, que interpretava Seu Flor, pai de Dona Nenê. ''Foi um período difícil, mas que a gente superou com a união que se mantém no programa'', diz a atriz Guta Stresser.
A comoção foi tanta que, logo após a morte do ator, decidiu-se por exibir novamente o episódio ''O Velhinho Pocotó'', em homenagem a Cardoso. A reprise alcançou 45 pontos de audiência. Como tentativa de suprir a falta de Seu Flor na trama, a equipe decidiu incluir o tio Juvenal (Francisco Milani) a partir do episódio ''O Tio Mala!'', mas Milani também morreu em 2005.
Com o passar do tempo, o programa ganhou novos papéis. As histórias em torno dos personagens foram reforçadas com a chegada do mecânico Paulão (Evandro Mesquita), que formou um quadrilátero amoroso entre a manicure Marilda (Andréa Beltrão), Tuco (Lúcio Mauro Filho) e Mendonça (Tonico Pereira). A garota desprendida e moderninha Gina (Natália Lage) também apareceu para dar mais fôlego a Tuco, que já andava meio desgastado com o perfil de rapaz sem futuro.
''Não que ele tenha abandonado a barra da saia da mãe, mas, ao conhecer o filho que teve com a Gina, ele passou a pensar mais nas suas responsabilidades. Ele até que se deu bem como DJ'', explica o ator Lúcio Mauro Filho.
Até Carlinhos, que apareceu pela primeira vez no longa que leva o nome da série - lançado esse ano, superou a marca de 2 milhões de espectadores - ganhou participação na versão da TV. Ele surge como um antigo relacionamento de Nenê, que, ao tentar uma reaproximação com a dona-de-casa, acaba provocando ciúme em Lineu. ''Eles, na verdade, já não aguentam mais ficar separados'', afirma a atriz Marieta Severo.
Ao perceber que sua esposa está sendo rodeada por Carlinhos, Lineu a procura para pedir a reconciliação. ''São passagens importantes para manter a continuidade da trama'', explica o diretor.
Para Marieta Severo, o sucesso de ''A Grande Família'' está na identificação do brasileiro com as situações parecidas com as que acontecem em casa. ''Apesar de termos muitas situações de corrupção e violência em nosso país, acredito que o público goste desse retrato que o programa faz sobre a família brasileira. É uma imagem positiva, que resgata o lado bom da convivência'', define a atriz. Satisfeita com o sucesso de sua personagem, ela confessa que torce para que Lineu e Nenê voltem a fazer logo as pazes.
Figurino- Outro destaque da série está na escolha das roupas. Inspiradas nas décadas de 50 e 60, as peças tem como objetivo reforçar a personalidade de cada um dos personagens. ''Muitas delas são garimpadas em brechós, como as do Agostinho, por exemplo'', afirma a figurinista do programa, Solange Soares. Para reforçar o perfil alegre da família, ela faz pesquisas em revistas antigas e procura tecidos que complementem o clima colorido do cenário.
Nenê, por exemplo, teve seu visual repaginado no decorrer da história. Mais recatada no início, hoje ela já se arrisca a usar vestidos mais sensuais, mas que ainda mantêm o lado de mãe e dona-de-casa. Já o Mendonça, colega de repartição de Lineu, é um dos personagens que assumiu um estilo brega assumido. ''Tentamos colocar nele algo que realmente dê aquele perfil de funcionário público'', diz a figurinista. A figurinista já se prepara para as fases de gravidez de Bebel, que por enquanto está no início da gestação. ''Vamos ter quatro etapas de barriga'', diz.

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