Capa da FOLHA quando ainda era um bebê, em 1979, a atriz Juliana Mesquita hoje está em rede nacional na novela ''Água na Boca'', da Bandeirantes, lançada no dia 12 de maio. Interpretando a jovem Camila Pereira, estudante de medicina, filha de Antônio, vivido pelo ator Fernando Neves, Juliana comemora a oportunidade de vivenciar um papel inteiro - diferente das participações especiais que teve no começo da carreira em novelas como ''Mulheres Apaixonadas'' e ''Da Cor do Pecado''. De autoria de Marcos Lazarini, a novela da Band pretende agradar toda a família brasileira. ''É uma novela leve, engraçada, sem apelações'', garantiu Juliana.
A jovem atriz, hoje com 30 anos, nasceu em Londrina e aos 4 anos passou a morar em diversas cidades do Paraná. Filha de pais médicos - o infectologista Fábio Mesquita e a sanitarista Agnes Soares -, que integraram ''O Poeira'', movimento estudantil surgido na Universidade Estadual de Londrina, desde cedo vivenciou mudanças frequentes de cidades acompanhando os pais que fugiam de perseguição política por serem filiados ao partido comunista.
Atualmente vem a Londrina de forma esporádica para participar de reuniões festivas da turma do curso de medicina dos seus pais ou de ex-integrantes de ''O Poeira''. A última vez foi há quatro anos e diz que cada vez que vem à cidade fica impressionada com o seu rápido desenvolvimento.
Demonstrando desde pequena talento artístico, Juliana conta que, além de ser fotogênica, sempre gostou de cantar, dançar e que com apenas 9 anos já escrevia roteiros de vídeo e teatro junto com amigos. Com relação à foto da capa da FOLHA, ela integrava reportagem sobre pais jovens que ''ralavam'' para criar os filhos pequenos - realidade dos seus pais, que tiveram Juliana no meio da faculdade de período integral e contaram com a ajuda dos pais de colegas para cuidarem da filha. ''Tenho mais de 132 avós'', brincou Juliana.
Aos 8 anos, ela mudou-se para o estado de São Paulo. Quando ainda era adolescente, morando em Santos, começou a fazer aulas de teatro e era frequentadora assídua do Sesc. ''Quando estava no segundo colegial fiquei encantada com o trabalho do Antunes Filho e decidi ir para São Paulo estudar com ele. Meus pais ficaram preocupados, mas não teve jeito. Com 16 anos fui morar com a minha avó e entrei no Antunes'', relembrou.
Após estudar um ano com Antunes Filho, Juliana passou a se aprofundar na arte teatral com orientação do diretor de teatro e dramaturgo Samir Yasbeck e o ator Hélio Cícero - que faziam parte do núcleo de atores do Antunes -, além de cursar faculdade de cinema pela Fundação Armando Álvaro Penteado (Faap). Dedicando-se primordialmente ao teatro, Juliana também participou de alguns curtas-metragens, como o ''Uma Palavra'', de Vera Haddad, e ''O Santo Salvador'' e ''O Demônio'', de Daguito Rodrigues. ''Nunca fiz parte de um grupo fixo de teatro e sinto falta disso'', comentou.
Juliana afirma que no começo da carreira tinha bastante preconceito em relação à televisão, mas que isso agora é coisa do passado. ''Ainda bem que a maturidade chega'', disse. Sua primeira participação em televisão aconteceu em 2001, na novela ''Mulheres Apaixonadas'', da Rede Globo, com a personagem Renatinha; depois foi a vez de ''Da Cor do Pecado''. Já em 2006 trabalhou na minissérie JK, em que viveu a Naná, a irmã de Juscelino Kubitschek, do período dos 18 aos 47 anos. ''Foi maravilhoso contracenar com Wagner Moura, Júlia Lemmertz e ser dirigida pelo Denis Carvalho. Aprendi muito sobre televisão e eles foram muito generosos comigo'', destacou. Depois de JK, trabalhou nas novelas ''Bicho do Mato'', da Record, e ''Amigas e Rivais'', do SBT, onde interpretou sua primeira vilã, a Georgina.
Na Globo foi convidada a participar da oficina de atores e ressaltou a importante troca de experiência com a atriz Eva Wilma. ''Ela (Eva) falou sobre o quanto a televisão é uma obra aberta, em que podemos interagir por nove meses com o mesmo personagem e atingir milhões de pessoas ao mesmo tempo. Isso é muito bacana e como atriz tenho tido vários trabalhos legais.''
Juliana também refuta a idéia de que atores não devam participar de comerciais. ''Não vejo problema algum, desde que o produto tenha a ver com a minha vida. Não sou fumante e em hipótese alguma faria propaganda de cigarro, mas já fiz de banco, telefonia e me diverti com esses trabalhos'', pontuou.
O talento pé-vermelho da atriz Juliana Mesquita pode ser conferido de segunda a sexta, às 20h15, na Band.

mockup