Eri Johnson adora o fato de seu personagem o Waldomiro, de ''América'' ser apenas um ''peão de fachada''. Também pudera. Só de assistir às cenas em que os outros atores montam nos touros, ele sente ''calafrios'' na barriga. Mas o ator jura ''de pé junto'' que não é por medo. ''Simplesmente não confio no animal'', desconversa. A desconfiança é tanta que nem nos intervalos das primeiras gravações, que foram feitas em Barretos, interior de São Paulo, Eri se aproximou dos bretes. Embora cheio de receios, ele não se esquiva da possibilidade de um dia ter de fazer cenas com o animal. ''Enquanto isso, vou curtindo as façanhas do Waldomiro'', desconversa.
Foi justamente o lado ''contador de histórias'' de Waldomiro que atraiu o ator. O personagem, que está sempre vindo de um rodeio onde ''tirou o primeiro lugar'' e que assiste às montarias tecendo críticas aos peões mais experientes, lembra muita gente que o Eri conhece. Por isso, ele não teve a menor dificuldade para compor o papel. Pelo contrário. A cada cena que vai estudar, se inspira especificamente em um dos ''fanfarrões'' que já esbarrou na vida. ''Achava horrível pessoas que vivem na mentira. Hoje, ao interpretar o Waldomiro, não as condeno tanto'', assegura. Para aproveitar bem o pequeno espaço na trama, Eri aposta todas as suas fichas na comédia. Tenta transformar em piada todos os delírios megalomaníacos de Waldomiro. Se seguisse outro caminho, o ator acredita que o personagem ficaria com ''ar'' de coitado. ''O humor ameniza qualquer problema. Nesse caso, também tenho a ajuda da Glória, que me manda um texto bem engraçado'', afirma.
Aliás, a Glória Perez sempre dá uma ''mãozinha'' a Eri. ''América'' é sexta novela da autora que o ator faz, entre as dez que já atuou em seus 18 anos de profissão. A parceria dos dois começou em ''Barriga de Aluguel'', em 1990, quando interpretou o dançarino Lulu. Em seguida, vieram ''De Corpo de Alma'', em 1992, ''Explode Coração'', em 1995, ''Pecado Capital'', em 1998 e ''O Clone'', de 2001. Mas Eri não se importa nem um pouco em ser o ''amuleto da sorte'' da novelista. ''Minha união com a Glória é eterna. Sou grato por ela ser a principal responsável pela minha trajetória na tevê'', derrama-se.
Mas ficar longe do vídeo não é nenhum martírio para Eri. Quando não tem oportunidade de trabalhar em novelas, o ator ocupa toda sua agenda profissional com teatro. Ele enche a boca para dizer que é justamente no palco que se realiza profissionalmente. Sempre que está com uma peça em cartaz, procura se envolver com todos processos. Além de ensaiar as cenas, ajuda a montar a luz, cenário e figurino. ''Na novela não é assim. Só é preciso dominar o texto e o personagem. Mas a vantagem é que conquistamos o carinho do público'', ressalta.
Basta Eri colocar os pés nas ruas para que, vire e mexe, alguém o pare e elogie seu atual trabalho. Só que o assédio dos fãs não é mais o mesmo. Antigamente, os transeuntes o bombardeavam pelos bordões que criava para seus personagens nas novelas, como ''Bom te ver'', de Ligeiro de ''O Clone''. Em ''América'', o ator ainda tentou emplacar dois: ''Porque eu espanto'' e ''Me quer mais do que ouro''. Mas até agora não ouviu sequer de uma pessoa uma das duas frases. ''Bordão é uma coisa que surge naturalmente. Não é uma estratégia. Mas se algum der certo, vou gostar'', admite, esperançoso.
Eri está realmente preocupado em deslanchar seu personagem de ''América''. Além de criar ''cacos'' e dar uma boa pitada de humor, o ator sempre grava a novela para avaliar sua atuação. Assim, ele acredita que pode desenvolver melhor as próximas falas do personagem. Ainda não satisfeito, antes de fazer qualquer cena ainda procura bater o texto com quem vai contracenar. ''Isso dá um bom resultado e uma unidade para o núcleo. O sucesso é uma consequência do nosso esforço'', filosofa.

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