TELEVISÃO - Panelinha assumida
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terça-feira, 18 de julho de 2006
Mariana Trigo<br> TV Press 
A cada estréia, a ''coincidência'' fica exposta. Juntam-se nos créditos iniciais das novelas uma batelada de atores com o mesmo diretor ou o mesmo autor de produções passadas. A famigerada ''panelinha'', ou assim vista em várias outras profissões, não é tão famigerada assim na televisão. E os profissionais do meio não demonstram quaisquer receios em assumir que realmente têm seus eleitos para os papéis. Alguns autores minimizam a insistência ao dar aos atores amigos funções de pé-de-coelho. ''Não gosto de fazer novelas se não tiver no elenco a Laura Cardoso, o Elias Gleizer e o Tony Ramos. Viemos da finada TV Tupi. Por conhecermos bem nossas preferências, fica tudo mais fácil'', avalia Walter Negrão. Já outros recorrem a razões práticas. ''Estabelecemos uma relação de confiança e temos certeza de que só alguns atores vão fazer o que realmente queremos com os personagens'', argumenta o autor Tiago Santiago.
Já Manoel Carlos, que está no ar com ''Páginas da Vida'', assume que entre seus personagens estão sempre atores como Regiane Alves, Helena Ranaldi e José Mayer. Isso sem falar de sua filha Júlia Almeida, caso clássico de favoritismo familiar. Mas, nesta novela, um ator imprescindível, que sempre trabalha em suas produções é Eduardo Lago, que vive o Bira, o marido traído de Carmem, de Nathália do Vale. ''Mais uma vez ele faz um corno indispensável na minha novela'', diverte-se Maneco.
Mas nem todos os autores conseguem, a cada novela, incluir seu protegidos no elenco. Com o aumento do número de produções, a disputa entre autores e diretores por atores não tem permitido muita escolha e fica cada vez mais difícil garantir os atores-amuleto. ''Me sinto prejudicado porque sou um autor das sete e não posso me dar ao luxo de sempre ter quem eu quero. Não tive um triângulo amoroso forte na minha última novela porque os atores que eu queria estavam reservados e a atriz iniciante não deu conta do recado'', reclama Antônio Calmon, que preferiu culpar Gisele Itiê a responsabilizar o então diretor de núcleo Marcos Paulo, vértice principal do triângulo da malsucedida ''Começar de Novo''.
Já Gilberto Braga vive numa situação oposta. Desde a novela ''Corpo a Corpo'', de 1984, o autor tem Malu Mader em suas tramas. No entanto, pela primeira vez, desde o início dessa ''comunhão'', a atriz não foi escalada para ''Copacabana'', próxima trama das oito do autor. ''O público vai perceber que desta vez não existia um personagem adequado para a Malu. Vamos deixar para a próxima'', desconversa Gilberto. O autor alega que, pela primeira vez, começou a escrever uma trama a partir dos personagens e não do elenco. Mas, por sorte, tinha um papel bem ao feitio de Cláudia Abreu, outra habitué de suas tramas.
Para Silvio de Abreu, a musa indispensável em suas tramas é Cláudia Raia, que já contabiliza seis novelas do autor. ''Quando ele me chama para um papel, nem pergunto mais o que é. Ele conhece todos os meus truques e me dá caminhos cada vez mais complicados para uma atriz'', valoriza Cláudia. O mesmo acontece com Mariana Ximenes, que já trabalhou diversas vezes com o diretor Wolf Maya. Com essa intimidade cada vez maior com Wolf, a atriz, que vive a romântica Bel em ''Cobras & Lagartos'', se sente ainda mais à vontade nos papéis. ''Temos um tesão parecido no trabalho. Também sou assim com o Jayme Monjardim'', compara Mariana.
Na verdade, os autores e diretores elegem seu ''casting'' preferido ganharem mobilidade na hora de criar personagens. Mas isso só ocorre quando o estilo de cada ator é bem-conhecido. ôSei que determinado ator vai interpretar o texto exatamente da maneira que eu quero. Por isso pego nossos 'confiáveis' e os misturo aos novatos'', analisa o autor Carlos Lombardi, como quem se refere à uma receita gastronômica


