TELEVISÃO - O escracho como tábua de salvação
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de abril de 2005
Daniela Ortega<br> Folhapress 
Se rir é o melhor remédio, Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa escolheram o caminho certo para recuperar a audiência das sete da Globo, que naufragou com ''Começar de Novo'', novela que terminou na última sexta-feira e baixou em 10 pontos a média do horário. ''A Lua me Disse'' estréia hoje e vai usar do escracho para colocar em cena as mazelas do ser humano. Não serão poucos os conflitos: um homem que se veste de mulher, uma alcóolatra e uma jovem cleptomaníaca são alguns dos personagens que vão dar o que falar. ''A novela é uma maneira alegre de olhar a vida, apesar dos pesares, mas levanta debates importantes'', afirma Falabella, que assina a sua segunda trama, a primeira foi ''Salsa e Merengue'', exibida em 1996 no mesmo horário e sucesso de audiência.
Com a ''A Lua me Disse'', a Globo volta a apostar todas as suas fichas no humor, que sempre foi uma das principais características das novelas das sete e não costumava decepcionar. Até a confusa ''Kubanacan'' manteve a média no Ibope. E ''Da Cor do Pecado'', o maior sucesso do horário nos últimos dez anos, tinha fortes núcleos cômicos, como, por exemplo, a família Sardinha, encabeçada por Rosi Campos.
Apesar da responsabilidade, Falabella diz não se sentir pressionado. ''Estou fazendo novela porque me dá prazer, não tenho esse compromisso de subir a audiência. Se não der certo, não deu, ué. Mas a gente trabalha para dar.''
O trio central é formado por Adriana Esteves e Marcos Pasquim, repetindo o par de ''Kubanacan'', e Wagner Moura, que estréia nos folhetins como Gustavo e diz estar gostando da experiência. ''Ele é cheio de conflitos. É apaixonado pela mulher que tem um filho do irmão e sempre foi dominado pela mãe'', conta Moura.
Heloísa (Adriana Esteves) tenta esquecer o cunhado nos braços do misterioso Tadeu (Pasquim). ''Ele é um mistério para mim também e será mostrado melhor no decorrer da história'', explica Pasquim, que, dessa vez, ficará com a camisa no corpo. A mocinha também brigará com a ex-sogra, que atormenta sua vida. Os conflitos aumentarão quando ela assumir a direção do banco presidido por Ester (Zezé Polessa). Adriana defende a personagem. ''Ela enfrentou coisas fortes quando era muito criança.''
Os maiores problemas começam com a morte de Regina (Maytê Proença), sócia do banco Benate Bogari. Ela, que sustenta a família, surpreende a todos em seu testamento: deixa sua mansão para a cozinheira Dionísia (Chica Xavier) e faz de Heloísa a tutora de sua filha, Branca (Monique Alfradique). Acostumada a uma vida de princesa, a menina vai morar no Beco da Baiúca e se envolve com os malandros da região, a começar por Adonias (Paulo Vilhena). ''Ele é diferente dos rapazes que ela conhecia'', justifica a atriz.
O resto da família de Regina vai sofrer com as filhas mais velhas de Dionísia, Anastácia (Zezé Barbosa) e Jurema (Mary Sheila). A mãe não quer confusão, mas elas se instalam na casa, para desespero, principalmente, de Madô (Deborah Bloch), uma dondoca acostumada a ser o centro das atenções.
Os ricos também entram na roda. Geórgia Bogari (Patrycia Travassos) vive tentando recuperar a juventude. Ela bebe demais, sempre ao lado do amigo aproveitador Samovar (Cássio Scapim). Por ser irresponsável, fez com que os filhos se tornassem muito preocupados, são jovens que não sabem se divertir e cuidam da mãe como se fosse criança.
No beco, o que não faltam são confusões. Assunta (Elizângela), por exemplo, é uma fofoqueira que vai dar o que falar por seu gosto por rapazinhos. ''Ela come os moleques todos. Para Assunta, depois dos 24 anos a validade venceu'', diverte-se o autor da novela.
Dona Roma é um dos vizinhos. Nascido Amoroso Valentim, é dono de uma pensão. O personagem veio da peça ''Síndromes'', de Falabella, que diz: ''É um homem que se veste de mulher. Qual o problema? É a onda dele. As pessoas têm de relaxar com o mundo''. Com essas e outras questões na mesa, ou melhor, no ar, Falabella e Maria Carmem vão fazer o público pensar, mas, segundo Miguel, sem grandes pretensões: ''Não queremos mudar nada. É uma comédia legal, esperançosa. Porque só ri quem tem esperança, né?''.


