TELEVISÃO - O dono da voz
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sexta-feira, 22 de julho de 2005
Danielle Araújo<br> TV Press 
Desde que começou a soltar a voz na pele de Geraldito de ''América'', Guilherme Karan não tem mais sossego nas ruas. Vire e mexe, um fã o pára na rua, surpreso com o fato do ator cantar. Ninguém imagina que ele iniciou a carreira artística justamente como cantor de boate. Só não deu continuidade porque considera sua voz apenas ''razoável''. ''Sou afinado, mas jamais compraria um CD meu'', afirma aos risos. Em meio às brincadeiras, Karan confessa que gostou da possibilidade de poder mostrar o seu dom para música na novela. Antigamente, o ator só dava ''canja'' no teatro. Por isso, ele procura aproveitar bem esta chance. Uma vez por semana estuda canto com o professor Vlademir Cabanas. Nas aulas, aprende a entonar e afinar cada vez mais a voz. Além disso, evita beber água gelada e o consumo excessivo de cigarro. ''Tenho todos esses cuidados, mas é muito fácil dar vida ao Geraldito. Até porque já vivi um pouco da realidade dele'', explica.
Karan, realmente, já teve seus dias de ''crooner''. Há três anos, ele e Glória Perez viajaram para Cuba. Em um de seus passeios, o ator cantou num cabaré. Para sua surpresa, caiu nas graças dos frequentadores da casa de diversão e colocou todo mundo para dançar. Inclusive, a Glória. E a autora gostou tanto da desenvoltura de Karan que criou o Geraldito de ''América'' inspirada naquela noite. ''Não tem nada melhor do que saber que ela escreveu o personagem especialmente para mim'', derrama-se. Aliás, Karan não poupa elogios a autora. Também pudera. Há dez anos, ele só consegue papel nas novelas de Glória. O ator acredita que aparecia mais na tevê no início dos anos 90 porque também era ''apadrinhado'' por Paulo Ubiratan, Cássio Gabus Mendes e Wilson Aguiar Filho. Só que os três faleceram. ''Se a Glória parar de me escalar, minha carreira na Globo acaba. Falo isso numa boa e sem amargura, porque faz parte da realidade do ator brasileiro'', garante.
Por conta dessa instabilidade na carreira televisiva, Karan centra toda sua força no teatro. Embora não concilie os dois trabalhos, ele já planeja o que fazer depois que a novela acabar. Ao lado de Miguel Falabella, apresentará a peça ''Império'' que relata a chegada da família real portuguesa ao Brasil. ''Tenho um filho de oito anos para criar. Não posso me dar ao luxo de ficar desempregado'', afirma. Em busca da rentabilidade, o ator também tenta marcar presença no cinema. Apesar de conseguir poucos papéis em longas, foi justamente na telona que conquistou seus personagens preferidos. Como o protagonista João Fausto do filme ''As Alegres Comadres'' de 2003, baseado em Shakespeare. ''Sem dúvidas, foi a melhor interpretação que fiz em toda minha carreira de 25 anos. Utilizei da melhor maneira toda minha experiência na comédia'', gaba-se.
Karan se sente totalmente à vontade quando o assunto é ''comédia''. Tanto que tem facilidade para fazer as cenas engraçadas do núcleo de Miami de ''América''. Chega ao set com o texto na ponta da língua, mas sempre improvisa algumas ''gracinhas'' na hora de gravar. Na sua visão, o humor é o único gênero que permite brincar mais com a fala e com as características do personagem. ''Sinto-me realizado quando faço comédia. Humor é tudo na vida. Ninguém é feliz sem uma boa dose de humor'', filosofa. Guilherme segue isso à risca mesmo. Nos intervalos das gravações da novela, faz questão de descontrair os colegas de cena com brincadeiras. Não bastante, ainda se junta com a atriz Cláudia Jimenez, intérprete de Consuelo, para contar piadas. ''Mas o Marcos Schechtman coloca a gente no cabresto. Ainda bem. Senão, iríamos exagerar sem perceber'', diverte-se.


