TELEVISÃO - Ney Latorraca volta à Globo em 'O Sistema'
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quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Leila Reis<br> Reportagem Local 
Na primeira sexta-feira de novembro, Ney Latorraca volta à TV como um vilão que quer dominar o mundo na série ''O Sistema'', escrita por Fernanda Young e Alexandre Machado, na Globo. Katedref (esse é o nome do personagem) é o presidente de uma multinacional que acessa a vida de todos ao seu redor ao toque de uma tecla. ''Ele é meio personagem de história em quadrinhos, uma mistura de Dr. No, John Galliano e Pica-Pau'', diverte-se o ator que está na TV há quase 40 anos. Ele será combatido por um grupo de jovens ''excluídos do sistema'' que quer descobrir ''o que está por trás de tudo aquilo que tem alguma coisa por trás''. Nesta entrevista, Ney conta como se deu essa volta ao terreno do humor e garante que é mais fácil fazer chorar do que rir.
Por que demorou tanto para você voltar a fazer humor na TV?
Sou um ator muito especial e não tinham papel para mim. Quando fui gravar o programa da Fernanda Young na GNT (''Irritando Fernanda Young'') perguntei quando ela ia escrever um papel para mim, fiz chantagem. Assim José Lavigne, com quem fiz ''TV Pirata'', me chamou para ser o vilão Katedref, de ''O Sistema'', uma série de seis episódios que vai entrar na noite de sexta, depois do ''Antônia''.
Como é esse Katedref?
É um vilão maravilhoso, não é um canalha, é um misto do Dr. No (personagem de Peter Sellers), do Volponi (que interpretou na novela ''Um Sonho a Mais''), John Galliano (estilista) e o Pica-Pau. É um ser exuberante que domina todo mundo de sua sala. Ele é um CEO de uma empresa de call center que, ao apertar um botão, chega a qualquer um. Katedref adora o poder e, como todas as pessoas que só valorizam isso, é um vampiro da vida.
O humor é a sua praia?
No mundo inteiro é assim: ator é aquele que faz o padre, o delegado. E o comediante é o que faz tudo. Eu sou comediante, o que vier eu traço. Sou capaz de fazer chorar, de arrasar com a vida das pessoas. Mas difícil mesmo é fazer rir, porque com esse cotidiano tão chato e violento de hoje, as pessoas estão sempre preparadas para o choro.
Como você avalia o humor da TV?
Existe gente muito boa como o Bruno Mazzeo (''Cilada'', no ''Multishow''), Heloísa Perissê e Ingrid Guimarães (de ''Sob Nova Direção''). Acho maravilhosa a imitação que Tom Cavalcante faz da Ana Maria Braga.
A Globo usa o horário em que vai entrar ''O Sistema'' para testar programas...
''O Sistema'' vai vingar porque tem um elenco maravilho: Zezé Polessa, Selton Mello, Maria Alice Vergueiro. Vamos emplacar outras temporadas porque eu sou pé-quente.
Mas o seu pé-quente já falhou... ''Bang Bang'' não deu certo e uma outra novela, também do Mário Prata, que se chamava ''Sem Lenço, Sem Documento'' e sem ibope.
''Estúpido Cupido'', do Prata, deu muito certo, chegou a dar 80% de audiência.
Está difícil fazer TV hoje?
A TV está mudando, o ator tem que se concentrar mais, mas não me queixo, estou na Globo desde 1974 e sempre fui bem tratado. A concorrência que surge agora é saudável.
Você tem visto as novelas da Record?
Assisti a ''Caminhos do Coração'' para ver meus amigos Walmor Chagas e Fafá de Belém. Achei interessante como proposta. É bom abrir campo de trabalho para todo mundo.
No seu ranking de personagens, qual lhe deu mais satisfação?
Fiz mais de 30 personagens. Aliás, se contar os do ''TV Pirata'' dá mais de 100. Alguns foram muito bons, como o vampiro Vlad (Vamp), Volponi, Seu Quequé (''Rabo de Saia''), mas o meu preferido foi Ernesto Gattai, de ''Anarquistas Graças a Deus''.
Qual personagens que você gostaria de ter feito?
Os gêmeos do Tony Ramos, em ''Baila Comigo'', e Herculano Quintanilha, que Francisco Cuoco fez em ''O Astro''.
Há quanto tempo você é da televisão?
Comecei em 1969, pelas mãos da minha madrinha Marília Pêra, para fazer ''Super Plá'', na Tupi. Na Globo, era para eu ser galã, foi assim que entrei em ''Escalada'' (1975). Mas eu sou mais ator de teatro e minha carreira tomou outro rumo.
Qual é o seu projeto atual?
Não sei, porque nada para mim é definitivo. Não acredito nem no que eu faço, não virei busto. As pessoas vêm com essa conversa de que eu sou um monstro sagrado, mas eu respondo que só sou monstro, por causa da idade. Tenho 63 anos, estou bem enxuto, porque eu me cuido para o meu público. Parei de fumar há mais de quatro anos e ando todo dia em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas. As pessoas me param e se admiram: ''Você é mais jovem'', ''você é mais alto.'' Ainda bem, não é?


