Duas realidades completamente diferentes, em um verdadeiro ''choque'' social entre ricos e pobres. Esse é o enredo de ''Vidas Opostas'', novela de Marcílio Moraes que a direção da Record aprovou para substituir ''Cidadão Brasileiro'' no horário nobre da emissora. Prevista para estrear em novembro, a trama é uma inusitada mistura de ''Cidade de Deus'' com ''Cinderela''. Um rapaz milionário da Zona Sul carioca apaixona-se por uma jovem favelada, em uma relação atribulada que reúne muitas cenas de ação, violência e criminalidade. ''Meu objetivo é fazer uma novela que vá fundo na 'fratura' social brasileira. Os protagonista são de pontas opostas da pirâmide social'', explica o autor Marcílio Moraes.
A novela será gravada em uma favela real. O cenário escolhido foi a comunidade Tavares Bastos, chamada na novela de ''Bairro Torto'', localizada no Catete - bairro da Zona Sul carioca. Dominado pelo Batalhão do Operações Especiais da Polícia Militar, o Bope, o morro é um dos únicos na cidade que não sofre com o tráfico de drogas - além de possuir uma belíssima vista para o mar. A história, no entanto, será violenta. Logo no primeiro capítulo, Sovaco e Pavio, personagens de Leandro Firmino e Philippe Haagensen, estão no comando do tráfico e são surpreendidos com a invasão de uma facção liderada por Jeferson e Jackson, irmãos vividos por Ângelo Paes Leme e Heitor Martinez - antigos chefes que querem recuperar o poder no morro. ''Será uma maneira de informar ao público que cada vez mais jovens estão se envolvendo com o crime organizado'', observa Leandro Firmino.
Nessas primeiras cenas, a produção movimentou cerca de 200 pessoas no local - entre imprensa, atores, figuração e técnicos. Para aproximar ainda mais a novela da realidade, uma equipe da Record selecionou moradores locais para compor a figuração. Durante dez horas, foram gravadas oito cenas de conflito entre as facções rivais, com intensa troca de tiros e fuga em carros e motos. Compradas de colecionadores, todas as armas passaram por uma adaptação para disparar somente balas de festim. ''Essa é uma realidade. As pessoas nas favelas andam altamente armadas e a comunidade vive espremida entre a polícia e os bandidos'', observa o diretor Alexandre Avancini.
A novela, no entanto, vai bem além da ''barbárie''. O universo dos milionários será o segundo plano, ambientado no tradicionalíssimo hotel Copacabana Palace, na Zona Sul do Rio. Lá, quem vai dar as cartas é Erínea, vilã que será interpretada por Lavínia Vlasak. Noiva de Miguel, ela disputará o coração do rapaz com Joana, moça da favela por quem o matemático se apaixona - cujos intérpretes ainda não foram definidos. Outro papel importante será o de Marcelo Serrado, que dará vida ao corrupto delegado Nogueira. ''Ele será o grande vilão da novela. É quem articula toda a operação do tráfico no morro'', adianta Avancini.
Além do crime organizado, ''Vidas Opostas'' vai mostrar a cooperação da polícia com a criminalidade. Braço-direito do delegado Nogueira nas negociações com os traficantes, Márcio Garcia fará uma participação de 20 capítulos como o policial Alencar. No elenco também estão Lucinha Lins como Ísis Campobello, mãe de Miguel e dona do hotel, e Nicola Siri como Bóris - perseguido político que retorna ao Brasil após morar anos no exterior. A novela terá também uma equipe de telejornalismo que vai acompanhar a ''guerra'' no morro, uma menina órfã que terá importante participação e uma agência de turismo onde Joana trabalha. ''Embora a trama vá abordar questões inéditas, ela mantém os elementos tradicionais dos folhetins. Ou seja, essa realidade dura e violenta será recompensada com romantismo'', aponta Marcílio Moraes.

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