TELEVISÃO - Em busca de sonhos
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de março de 2005
Flávia Swerts<br> TV Press 
Decididamente, horário nobre não é mais lugar para heróis. Só para heroínas. Depois da Maria Clara de ''Celebridade'' e de Maria do Carmo, de ''Senhora do Destino'', é novamente uma mocinha, a Sol de Deborah Secco, quem conduz a história em ''América''. E assim como as antecessoras, que enfrentaram Laura e Nazaré, vai ter uma rival à altura: a May, feita por Camila Morgado. As duas viram inimigas ao disputar o amor do intelectual Ed, de Caco Ciocler. A trama de Glória Perez, que estréia hoje, tem como mote central a fuga da miséria e a busca por uma vida melhor, através de questões polêmicas como a imigração ilegal. Sol é uma jovem pobre que sonha em ir para os Estados Unidos, só que ela não consegue o visto e decide entrar ilegalmente no país. Apesar de ser dona da personagem que conduz a trama, Deborah jura que não vê muita diferença entre fazer uma protagonista Sol é sua primeira e outros papéis. ''É claro que agora tem um título, um peso maior'', reconhece.
Quem também está rindo de ''orelha a orelha'' é Camila Morgado. Depois de Manuela, na minissérie ''A Casa das Sete Mulheres'', a atriz estréia em novelas como a vilã May, que promete infernizar a vida de Sol, por conta do envolvimento do noivo Ed com a imigrante ilegal Sol chega a Miami depois de passar por ''maus bocados''. ''Acho ótimo fazer uma megera. Será que vou ser odiada nas ruas, levar sacoladas?'', indaga, em tom de brincadeira.
Além desse núcleo central, ''América'' ainda vai investir em duas outras frentes: o universo dos rodeios discutindo, entre outra questões, como os animais são tratados nessas competições e a vida na Zona Norte carioca de Vila Isabel onde os tradicionais tipos populares criados por Glória Perez vão aparecer.
A conexão entre os três núcleos fica mesmo a cargo de Sol. Ela é moradora de Vila Isabel e faz uma visita à madrinha, a Neuta, de Eliane Giardini, dona de uma fazenda na fictícia Boiadeiros, no interior do Mato Grosso, um centro de rodeios. Lá conhece e se apaixona pelo peão Tião, vivido por Murilo Benício. O namoro é interrompido pelos sonhos de cada um: enquanto ela quer ir para os Estados Unidos, ele sonha em ser um campeão de rodeios. Murilo está gostando muito de interpretar um peão, mas revela que essa experiência tem lá suas dificuldades. Principalmente, na hora de montar um touro de verdade, mesmo que apenas dentro do brete aquele pequeno curral no qual o animal fica enjaulado na hora do rodeio. ''Nessas cenas todo mundo fica rindo de mim. Eu fico checando a porteira o tempo inteiro para ver se ela está bem fechada'', admite. Será através do personagem de Murilo que Glória irá colocar em discussão outro assunto controverso da trama: a experiência de quase-morte: Tião sofre um acidente montando um touro, fica em coma e tem a sensação de sair do próprio corpo.
''América'' repete a ''dobradinha'' de Glória com o diretor Jayme Monjardim, que deu certo em ''O Clone''. Para o diretor, essa é a novela mais difícil que ele já fez por dois motivos. O primeiro é a complexidade de unir núcleos tão diversos, o que provoca gravações em várias locações no Brasil e no exterior. O outro é a necessidade de ser fiel ao reproduzir Vila Isabel e Miami e ao mostrar universo rural já que, segundo Jayme, são lugares muito próximos do telespectador. ''Não pode haver erros. A gente está sofrendo para fazer, mas devagar o resultado vai aparecendo'', valoriza Jayme.
Para Glória Perez, no entanto, parece não existir limite para o número de assuntos numa mesma novela: além dos já citados, ela ainda vai abordar cleptomania, homossexualismo masculino e deficiência visual respectivamente através dos personagens de Christiane Torloni, de Bruno Gagliasso e de Bruna Marquesine. ''Todo tema que levanto em minhas novelas é com a intenção de fazer as pessoas debaterem, mostrando todos os lados da questão'', esclarece a autora.


