Logo depois que saiu de ''Aquarela do Brasil'', em 2000, Thierry Figueira resolveu passar um ano na Califórnia, estudando inglês e teatro. Na volta, demorou a conseguir trabalho na tevê e enfrentou dificuldades para retomar a carreira. Mas em 2003 ganhou um dos personagens centrais de ''Canavial de Paixões'', do SBT. Desde então, não saiu mais da emissora de Silvio Santos. Agora, como o vilão Pedro, de ''Os Ricos Também Choram'', é um dos mais empolgados com a nova fase da teledramaturgia na emissora, que investiu cerca de R$ 1,5 milhão na cidade cenográfica da novela e anunciou para o ano que vem o segundo horário de tramas produzidas no Brasil. ''Tenho um carinho especial pelo SBT, porque me senti acolhido. E acho que o atual momento é excelente para todo mundo, torço pelas outras emissoras também'', derrama-se Thierry.
Em seu terceiro trabalho no SBT fez também ''Seus Olhos'', como o protagonista, Artur , o ator nunca esteve tão confiante na boa repercussão de uma novela da casa. O principal motivo é o texto de Marcos Lazarini, que adaptou a trama do dramalhão mexicano à São Paulo da década de 1930. ''Nas outras novelas, o texto era traduzido ao pé da letra. Este cabe melhor no nosso vocabulário'', ressalta Thierry, que se arrisca ainda a ''avaliar'' o investimento da emissora na novela. ''Nunca vi o SBT gastando tanto com uma produção'', dispara.
Graças às mudanças introduzidas por Lazarini, o personagem de Thierry ganhou, além das motivações pessoais e da tendência natural à maldade, contornos políticos que vão dar o tom de boa parte de suas vilanias. Impulsionado pela mãe, a controladora viúva Arabela, de Françoise Fourton, ele se torna o principal adversário político de Bernardo, vivido por Felipe Folgosi, de quem era, até então, amigo de infância. Ansioso com o perfil maquiavélico de Pedro, Thierry não resistiu e consultou Lazarini sobre as tramóias que o personagem vai aprontar ao longo da novela. A resposta o deixou mais animado ainda. ''A princípio, ele parece só impulsivo, mas tem total desvio de caráter. Com o decorrer da novela, vai fazer maldades que o transformam num grande vilão'', define o ator.
Em 11 anos de carreira, esta é a primeira vez que Thierry interpreta o antagonista da história. Na Globo, ele deu vida a adolescentes e bons-moços, em produções como ''A Viagem'', ''Cara e Coroa'', ''O Amor Está no Ar'', ''Vila Madalena'' e ''Malhação'', na qual passou dois anos, tornando-se por vários meses o recordista de cartas da emissora. No SBT, antes do mocinho de ''Seus Olhos'', fez o conflituoso João de Deus, de ''Canavial de Paixões''. Agora, ele não vê a hora de sentir, nas ruas, o ódio do público por Pedro. Enquanto isso, aproveita a novidade durante as gravações. ''Estou me divertindo muito, testando coisas novas, descobrindo outras facetas minhas e aprendendo com o trabalho'', conta o ator, que virou ''fã de carteirinha'' de Françoise Forton. ''Ela é uma professora, é um privilégio dividir a cena com ela'', valoriza.
De fato, Françoise é uma das principais parceiras de Thierry em cena. Além da influência política da mãe sobre Pedro, há o controle que os dois exercem sobre as moças da família, Olga, Inês e Solange, personagens de Flávia Monteiro, Karla Tenório e Ana Fuser. O primogênito não faz outra coisa senão ajudar a mãe a manter as irmãs completamente reclusas. ''Ele não tem nenhum carinho por elas. É autoritário e só'', explica. Seus interesses vão mudar, no entanto, quando ele unir suas forças às da vilã Sofia, personagem de Ludmila Dayer. No começo da trama, Pedro é caidinho pela megera, mas ela só se aproxima dele quando tem algum interesse. A ''relação'' vai se aprofundar quando os dois perceberem que, juntos, podem aprontar ainda mais contra seus inimigos. ''Ele tem uma fascinação carnal por ela, é meio fissurado mesmo'', conta Thierry, que não vê a hora de conferir a reação do público ao trabalho. ''A atmosfera, a magia e a união do elenco estão ótimas. A gente já larga na frente por isso. O resto é a evolução natural das coisas'', filosofa.

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