TELEVISÃO - Adorável megera
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Mariana Botta<br> Folhapress 
Uma bruxa de conto de fadas. Assim Eduardo Moscovis, o Rafael de Alma Gêmea, define a personagem Cristina, vivida por Flávia Alessandra na trama das seis da Globo. É ao fato de a vilã parecer ter saído de um desenho que o ator atribui o sucesso da loira, que roubou a cena e tem mais fãs que a protagonista Serena (Priscila Fantin).
Prova disso é que um dos picos de audiência da trama (46 pontos) foi registrado no dia em que a megera foi jogada em um chiqueiro. O telespectador espera que ela pague por tudo o que fez de mal, diz Walcyr Carrasco, autor da novela.
Para ter uma idéia do gosto pela vilã, no site de relacionamentos Orkut há mais de 30 comunidades com o tema Eu Odeio a Serena. Com Cristina, a rejeição é menor: cinco comunidades. As pessoas não preferem ou deixam de preferir a Cristina. Elas torcem pelo confronto entre Serena e a vilã, fala o autor, que, até o capítulo final da novela, em 10 de março, guarda a sete chaves o desfecho que dará à malvada.
O autor e os colegas concordam que o segredo do sucesso de Cristina é o talento de sua intérprete. A personagem ganhou força com a interpretação dela, reconhece Carrasco. A Flávia foi aos poucos se encaixando, construindo o papel. Ela deu muita munição ao Walcyr e ao Jorge [Fernando, diretor] para que explorassem o melhor dela. É muito difícil fazer tão bem o que ela faz. Construiu uma megera clara e colorida, sem cair na caricatura. É como uma vilã da Disney, diz Moscovis.
Ana Lúcia Torres, que dá vida a Débora, conta que é a segunda vez que interpreta a mãe de uma personagem de Flávia Alessandra. Trabalhamos juntas em A Indomada, ela é maravilhosa, somos amigas mesmo. Flávia é dedicada e seu sucesso não é por acaso.
O público também reconhece o talento da atriz. Nas comunidades do Orkut com o tema Eu Odeio a Cristina sempre há alguma explicação de que o motivo é a personagem e não a atriz. As pessoas se aproximam para dizer que sou muito má, mas não há atitudes mais agressivas, conta a atriz, que levou um susto no início de Alma Gêmea, quando foi atacada com uma pedra de gelo. Não me acertou, mas fiquei com medo porque estava com a minha filha, lembra.
Dedicação: Cristina é a personagem de maior repercussão da carreira da atriz, que, aos 31 anos, já fez 11 novelas. Flávia Alessandra conseguiu entrar para a Globo aos 15 anos, depois de vencer um concurso do programa Domingão do Faustão. O prêmio foi um pequeno papel na novela Top Model (1989). O sucesso demorou para chegar, e as dificuldades da carreira quase a fizeram desistir de tudo. Aos 17 anos, comecei a fazer faculdade de direito e de comunicação. Não tinha um trabalho certo, e minha carreira de atriz não acontecia, conta. Enquanto estudava, não deixou a TV, mas só era escalada para participações e papéis pequenos. Formou-se em direito e logo foi escalada para viver a Dorothy, na novela A Indomada (1997), sua primeira personagem de destaque, que lhe rendeu um contrato fixo com a emissora carioca. Na mesma época, conheceu o então ator Marcos Paulo, que foi seu marido por dez anos e com quem teve Giulia, de 6 anos.
Os papéis seguintes a ajudaram a consolidar a carreira, mas é graças a Cristina que a atriz vive sua melhor fase. Ela é seca, fria e amargurada. É uma vilã nata, que não mede conseqüências. Suas várias facetas me permitem explorar sentimentos diferentes. Quando penso que ela enlouqueceu, dá uma virada e muda tudo, diz, completando que as vilãs dão mais liberdade para o ator. Dá para brincar mais.


