‘‘Uma bruxa de conto de fadas’’. Assim Eduardo Moscovis, o Rafael de ‘‘Alma Gêmea’’, define a personagem Cristina, vivida por Flávia Alessandra na trama das seis da Globo. É ao fato de a vilã parecer ter saído de um desenho que o ator atribui o sucesso da loira, que roubou a cena e tem mais fãs que a protagonista Serena (Priscila Fantin).
  Prova disso é que um dos picos de audiência da trama (46 pontos) foi registrado no dia em que a megera foi jogada em um chiqueiro. ‘‘O telespectador espera que ela pague por tudo o que fez de mal’’, diz Walcyr Carrasco, autor da novela.
  Para ter uma idéia do gosto pela vilã, no site de relacionamentos Orkut há mais de 30 comunidades com o tema ‘‘Eu Odeio a Serena’’. Com Cristina, a rejeição é menor: cinco comunidades. ‘‘As pessoas não preferem ou deixam de preferir a Cristina. Elas torcem pelo confronto entre Serena e a vil㒒, fala o autor, que, até o capítulo final da novela, em 10 de março, guarda a sete chaves o desfecho que dará à malvada.
  O autor e os colegas concordam que o segredo do sucesso de Cristina é o talento de sua intérprete. ‘‘A personagem ganhou força com a interpretação dela’’, reconhece Carrasco. ‘‘A Flávia foi aos poucos se encaixando, construindo o papel. Ela deu muita munição ao Walcyr e ao Jorge [Fernando, diretor] para que explorassem o melhor dela. É muito difícil fazer tão bem o que ela faz. Construiu uma megera clara e colorida, sem cair na caricatura. É como uma vilã da Disney’’, diz Moscovis.
  Ana Lúcia Torres, que dá vida a Débora, conta que é a segunda vez que interpreta a mãe de uma personagem de Flávia Alessandra. ‘‘Trabalhamos juntas em ‘‘A Indomada’, ela é maravilhosa, somos amigas mesmo. Flávia é dedicada e seu sucesso não é por acaso.’’
  O público também reconhece o talento da atriz. Nas comunidades do Orkut com o tema ‘‘Eu Odeio a Cristina’’ sempre há alguma explicação de que o motivo é a personagem e não a atriz. ‘‘As pessoas se aproximam para dizer que sou muito má, mas não há atitudes mais agressivas’’, conta a atriz, que levou um susto no início de ‘‘Alma Gêmea’’, quando foi atacada com uma pedra de gelo. ‘‘Não me acertou, mas fiquei com medo porque estava com a minha filha’’, lembra.

Dedicação: Cristina é a personagem de maior repercussão da carreira da atriz, que, aos 31 anos, já fez 11 novelas. Flávia Alessandra conseguiu entrar para a Globo aos 15 anos, depois de vencer um concurso do programa ‘‘Domingão do Faustão’’. O prêmio foi um pequeno papel na novela ‘‘Top Model’’ (1989). O sucesso demorou para chegar, e as dificuldades da carreira quase a fizeram desistir de tudo. ‘‘Aos 17 anos, comecei a fazer faculdade de direito e de comunicação. Não tinha um trabalho certo, e minha carreira de atriz não acontecia’’, conta.   Enquanto estudava, não deixou a TV, mas só era escalada para participações e papéis pequenos. Formou-se em direito e logo foi escalada para viver a Dorothy, na novela ‘‘A Indomada’’ (1997), sua primeira personagem de destaque, que lhe rendeu um contrato fixo com a emissora carioca. Na mesma época, conheceu o então ator Marcos Paulo, que foi seu marido por dez anos e com quem teve Giulia, de 6 anos.
  Os papéis seguintes a ajudaram a consolidar a carreira, mas é graças a Cristina que a atriz vive sua melhor fase. ‘‘Ela é seca, fria e amargurada. É uma vilã nata, que não mede conseqüências. Suas várias facetas me permitem explorar sentimentos diferentes. Quando penso que ela enlouqueceu, dá uma virada e muda tudo’’, diz, completando que as vilãs dão mais liberdade para o ator. ‘‘Dá para brincar mais.’’

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