TELEVISÃO - 2007 Soberania ameaçada e novelas sempre em alta
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Mariana Trigo<br> TV Press 
A soberania da Globo foi ameaçada em 2007. Além de perder parte de seus atores e jornalistas para a Record, a emissora também disputou audiência com uma rival cada vez mais feroz em conquistar seu lugar, principalmente na produção de novelas. Neste ano, a Record estreou sua décima produção da nova safra de dramaturgia e firmou-se com um núcleo de expressivos diretores, ''casting'' e autores.
No entanto, ainda não conseguiu desbancar a Globo, que quase sempre se destaca com personagens inesquecíveis em novelas. Com o gingado de Bebel, de Camila Pitanga, por exemplo, ''Paraíso Tropical'' caiu na boca do povo e se sobressaiu em vários núcleos assinados pelo sempre charmoso texto de Gilberto Braga. ''Sempre trabalhei glamourizando meus textos. Devo isso à Janete Clair. Todas as minhas novelas são uma homenagem a essa mulher que me ensinou tudo'', saúda Gilberto, que ganhou como ''Melhor Autor'' na eleição de ''Melhores & Piores da TV Press''.
A Globo também fez bonito no Jornalismo este ano, com investimento em novas tecnologias e profissionais. Mas quem chamou mais atenção por trás da bancada foi Ricardo Boechat, da Band, com uma forma mais reflexiva de apresentar as notícias no ''Jornal da Band''. Ele foi escolhido como ''Melhor Apresentador''. ''Sou um conversador com 40 anos de praia no Jornalismo. Neste jornal, existe vida inteligente além do teleprompter. Se ele pifar, não interfere no andamento da informação'', valoriza Boechat.
Mas o ano não teve muitas inovações no Jornalismo. No entanto, a reportagem ganhou novo fôlego com os especiais de ''Profissão Repórter'', da Globo, criado e comandado pelo jornalista Caco Barcellos e justamente eleito ''Melhor Produção Jornalística''. Já do outro lado da notícia, principalmente quando as celebridades são retratadas com muito humor, o ''Pânico na Tevê'' atraiu os holofotes com a irreverência que há tempos não se vê no ''Casseta & Planeta, Urgente!''. Os que preferem a abordagem tradicional optam mesmo é pela ''A Grande Família''. ''O segredo é nunca se acomodar e sempre procurar a novidade a cada cena'', entrega Marieta Severo, intérprete da carismática Nenê. A produção é considerada a ''Melhor Série Nacional'' há oito anos consecutivos.
Pura dramaturgia
Pela primeira vez nesses 18 anos de eleição dos ''Melhores & Piores da TV Press'', a gangorra quase ficou equilibrada na dramaturgia televisiva. Mas o sucesso de ''Paraíso Tropical'', de Gilberto Braga, conseguiu driblar a audaciosa investida da Record com ''Vidas Opostas'', de Marcílio Moraes. A novela, que abordou com bastante realismo o cotidiano e a violência das favelas, desbravou um novo panorama da dramaturgia na tevê, que começa a dar sinais de que se livra da hegemonia global. ''Este ano foi importante sobretudo porque solidificou a dramaturgia fora da Globo. Tanta repercussão numa novela em outra emissora merece ser analisada porque não é fácil de se ter'', orgulha-se Marcílio.
''O público já está cansado de velhas fórmulas. 'Vidas Opostas' foi uma novela que ousou'', analisa Alexandre Avancini, diretor da trama. ''Fugimos dos clichês como gente ouvindo atrás da porta, golpes da barriga, quem matou, noivas que fogem do altar e exames de DNA'', exemplifica Marcílio.
Contudo, ''Paraíso Tropical'', chamou atenção pelo enfoque diferenciado do cosmopolita bairro de Copacabana, no Rio. Dennis Carvalho - eleito ''Melhor Diretor'' - mostrou uma contraditória Copacabana explicitada pela prostituição das meninas do calçadão e foi brindado pelo rebolado moreno de Camila Pitanga, que ganhou na categoria de ''Melhor Atriz'' com sua audaciosa Bebel. ''Minha carreira na tevê foi antes e depois da Bebel. Foi com ela que quebrei meus preconceitos. As pessoas passaram a me ver de outra forma'', comemora a atriz, que passou o ano inteiro balbuciando ''cueca maneira'' sempre que deparava com o ar canastrão do vilão Olavo, seu amante vivido por Wagner Moura.
Depois de atrair todas as atenções como o sórdido executivo, Wagner ainda fechou o ano com o sucesso explosivo do valente Capitão Nascimento, de ''Tropa de Elite''. A popularidade foi tamanha que o filme foi satirizado em diversos programas de humor. ''Não pensava que fosse me adaptar tão bem à tevê. Ela tem me ensinado muita coisa, como saber lidar com a rapidez das cenas'', avalia Wagner.
Outra aposta na dramaturgia este ano foi a estréia de ''Dance Dance Dance'', da Band. Ao arriscar uma trama musical na carona do sucesso ''High School Musical'' entre crianças e adolescentes, a emissora - que vem de uma boa experiência com a bem-sucedida ''Floribella'' - passou a investir em folhetins musicais. ''Esse gênero também foge do lugar-comum. É outro mercado que se abre na tevê'', anima-se Juliana Baroni, que interpreta Sofia, protagonista da produção.


