Teleturismo é nova mania da TV
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de outubro de 1997
Agência Estado 
DivulgaçãoPaisagem em Taiwan: explorando a força das imagens, o teleturismo junta a fome com a vontade de comer. Serve ao turista em potencial com vontade e dinheiro para viajar e também a quem não dispõe dessas condiçõesEntre as inúmeras variantes possíveis - hoje se fala em turismo cultural, no de negócios, no ecoturismo e, infelizmente, até mesmo no turismo sexual - surge mais uma categoria no mercado turístico: o turismo virtual . E dentro dele, o teleturismo, que possibilita que o telespectador viaje sem sair do sofá.
O turista virtual dispõe, além de revistas especializadas e páginas na Internet, de um sem-número de especiais e documentários na televisão. Isto porque com a intensificação das trocas de informação e o aperfeiçoamento técnico dos meios de comunicação as pessoas podem ter acesso às mais diferentes realidades sem ter de estar diante delas em carne e osso. Assim, elas querem cada vez mais conhecer de perto o que está distante.
A televisão oferece uma linguagem privilegiada ao turismo ao unir som, texto e imagem. E o teleturismo, se combinar estes três elementos de forma criativa, pode levar o espectador para uma longa viagem.
Vontade de comer No Brasil, os canais estão incluindo em suas programações reportagens de turismo em seus programas de entretenimento ou até mesmo programas inteiros voltados para o turismo. O filé da programação ainda está na TV paga, que geralmente transmite produções estrangeiras.
No entanto, basta ficar atento às boas opções oferecidas pela televisão nacional, porque elas existem. O perfil dos programas varia muito. Há desde os mais comerciais com o objetivo explícito de vender um pacote até aqueles em que a região aparece como algo mais que um destino turístico, passando pelos documentais.
Envolvendo duas áreas de altos investimentos, mídia e turismo, o teleturismo junta a fome com a vontade de comer. O turista em potencial com vontade e dinheiro para viajar é interessante enquanto espectador e enquanto viajante; já quem não dispõe dessas condições, geralmente da segunda, ainda assim se serve do teleturismo. Não por acaso há hoje um canal de programação exclusivamente voltada para o turismo, o Travel Channel.
Alguns programas divulgam santuários ecológicos levantando a questão de sua preservação como fundamental ao crescimento saudável da indústria turística. Fernando Vieira, chefe de redação da TV Senac, em São Paulo, acredita que mesmo para ganhar dinheiro em um lugar é preciso protegê-lo. Fernando cita Bonito (onde filmou um documentário recentemente) como exemplo de que é possível conciliar a atividade econômica ao desenvolvimento sustentável. Os empresários estão preocupados com a preservação por exigência dos próprios turistas. Se você chega em um lugar mal cuidado, não vai voltar lá nem recomendá-lo a amigos. O programa vai ao ar em novembro e mostra o esforço conjunto entre turistas, empresários e governos locais no sentido de manter as características originais do lugar.


