Desastres ecológicos sempre colocam a natureza em primeiro plano nos noticiários da tevê. Mas a situação muda quando não há nenhum tsunami, terremoto, temporal ou qualquer outra tragédia provocada por causas naturais. Normalmente, as principais emissoras abertas do país não dão muito espaço ao assunto.
No entanto, com a ''Rio +20'', Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece até o dia 22 de junho, no Rio de Janeiro, o tema ganhou um destaque inusitado na televisão. ''Ecologia deveria ser um assunto diário. Faltam programas que abordem o tema de forma séria e frequente. As emissoras ainda não se ligaram na importância disso para o telespectador. Quando você começa a perceber melhor a natureza, passa a agir de forma mais consciente'', acredita o ator Max Fercondini, apresentador do ''Globo Ecologia'' há quatro anos.
Max não esconde a empolgação ao falar sobre a série especial produzida pelo programa sobre o evento da ONU. ''O meio ambiente está no topo. Todos os jornais estão falando sobre isso e o 'Globo Ecologia' não poderia ficar de fora desse momento'', analisa.
Escondido na grade da Globo desde 1990, exibido nas manhãs de sábado, o ''Globo Ecologia'' é o mais conhecido programa sobre natureza da televisão brasileira. E já teve nomes como Danton Mello, Cláudio Heinrich e Alexandre Borges como apresentadores. ''O programa tem uma história incrível. Foi o primeiro a abordar projetos importantes de preservação animal e florestal feitos no país. Aprendi muito nos seis anos em que o apresentei'', conta Claudio Heinrich.
Eventualmente, outro programa da Globo que aborda a temática ecológica é o ''Globo Repórter''. Desde o fim do ano passado, o programa decidiu sair do tom didático e monótono de suas reportagens ao lançar o projeto ''Globo Repórter nos Céus do Brasil'' onde, a bordo de um balão, o apresentador Sérgio Chapelin e os repórteres do programa visitam várias paisagens do país. ''O projeto foi motivado pela realização da 'Rio +20'. Passamos por biomas como a mata atlântica, caatinga, cerrado, entre outras. Espero que depois que o evento passar, a tevê continue a investir mais em pautas especiais sobre natureza. Sair da mesmice'', acredita Chapelin.
Para evitar o tom documental que domina os programas ecológicos, o engajado ator Victor Fasano apresentou à Record um projeto de ''reality show'' sobre sustentabilidade e ambientado na Floresta Amazônica. Em 12 episódios, ''Amazônia'', mostrou a disputa entre duas equipes de seis participantes, onde as provas relacionavam a aventura de estar na floresta com lições sobre biodiversidade e preservação. ''As pessoas adoram espiar a vida das outras pela tevê. Usamos um formato de sucesso para abordar o meio ambiente sem parecermos 'ecochatos''', conta Fasano, sobre o programa que foi exibido de janeiro a abril deste ano.
Para o ator, que já tinha apresentado o ''Globo Ecologia'' nos anos 90, o formato foi importante para o êxito do programa, que apesar de ser exibido depois da meia-noite, teve satisfatórios 7 pontos de média de audiência. ''Não queria competir com os documentários produzidos por canais pagos, como os da BBC. Espero que a gente consiga emplacar uma segunda temporada. É um assunto pertinente, mas tivemos dificuldades em encontrar patrocinadores'', conta o apresentador.
Mais focado no mundo animal, o SBT acaba de renovar o ''Aventura Selvagem'' para mais uma temporada. Exibido às quartas, a partir das 23h30, o programa apresentado pelo biólogo Richard Rasmussen tem semelhanças estéticas com os documentários feitos por canais da tevê fechada, como Animal Planet e Discovery Channel. O projeto idealizado por Richard surgiu como um quadro no ''Domingo Espetacular'', da Record, em 2005. Quatro anos depois, o apresentador transferiu-se para o horário nobre do SBT. ''Um quadro de 15 minutos para falar de natureza era muito pouco. Hoje faço 52 episódios, com duração de uma hora, por ano. A tevê é carente deste tipo de programa. Falta maior interesse do público e consciência ambiental por parte das emissoras'', destaca Richard.

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