Los Angeles - A maior bronca dos fãs hardcore da HQ contra o filme ‘‘Homem-Aranha’’ é a maneira como Peter Parker solta sua teia. Nas histórias em quadrinhos, ele cria o próprio líquido da teia em um laboratório e abastece seus reservatórios mecânicos. Não era incomum que o Homem-Aranha ficasse sem líquido e perdesse um de seus super-poderes. No filme, soltar as teias é um qualidade natural do personagem.
Para muitos fãs, que deixaram suas opiniões claras em bate-papos na internet, Sam Raimi roubou de Parker sua ingenuidade ‘‘nerd’’ e suas habilidades de cientista, que não tinham nada a ver com a picada da aranha. A outra diferença básica da HQ para o filme é exatamente esta: em vez de uma aranha radioativa, Parker é picado por uma super-aranha ‘‘experimental’’, que combina os poderes de várias espécies.
Ambas as idéias foram do diretor James Cameron, que escreveu um roteiro para o filme muito tempo atrás. Raimi resolveu aproveitá-las na história do roteirista David Koepp. ‘‘Se o Homem-Aranha tem quatro super-poderes dados pela aranha, por que o quinto tem de ser feito por ele mesmo?’’, pergunta o diretor. ‘‘O que sempre chamou a minha atenção em ‘Homem-Aranha’ é que o personagem é um de nós. Super-Homem era de Krypton, Batman era um milionário. Homem-Aranha tem os nossos problemas, as nossas preocupações, é um ser humano que passou por uma transformação extraordinária.’’
‘‘Quando você pensa em um adolescente que consegue fazer invenções científicas que nem as grandes corporações fizeram até hoje ele passa a não ser mais um de nós, vira uma pessoa extraordinária’’, continua ele. ‘‘Aí é que a conexão com os fãs é perdida. Eu tinha de fazer o que era melhor para o espírito do que eu acho que o Homem-Aranha é.’’

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