Paulo WolfgangGabriel Sayão, Iuri Gregório, Haline Ottoni, Melina e Alexandre de Lima: linguagem de triboÉ impossível atravessar as 24 horas do dia sem que se ouça uma gíria. Elas estão em toda a parte: na escola, no trabalho, na rua, no rádio, na TV, dentro de casa. O que parece tão prosaico, porém, pode soar às vezes bem estranho dependendo do ambiente e das pessoas que estão conversando.
Em alguns grupos sociais, as gírias circulam como códigos cifrados, quase ininteligíveis para os que são ‘‘de fora’’. É o que ocorre em pátios de colégios onde os estudantes estão sempre inventando palavras novas. ‘‘Todo dia os meninos chegam com uma gíria diferente’’ - diz Haline Ottoni, 15 anos.
‘‘E as gírias mudam de escola para escola’’ - completam Iuri Gregório e Gabriel Sayão, ambos também com 15 anos. A pedido do repórter, eles listaram algumas expressões que costumam usar ou ouvir entre os colegas. A relação é extensa, avisam, citando ‘‘ruguru’’ (pessoa chata), ‘‘da hora’’ (bacana, de qualidade), ‘‘guerreiro’’ (rapaz que fica com menina feia) e ‘‘pára-quedas’’ (menina que não pode ver homem que já se abre toda).
Jargões Mas se entre os estudantes já é assim, a criatividade vocabular é ainda maior entre as chamadas tribos urbanas. Um exemplo: tente imaginar um jovem estrangeiro que tenha aprendido a língua portuguesa em sua terra natal, e que passando férias em Londrina, resolvesse frequentar um campeonato de skate.
Ele certamente ficaria confuso com a troca de significados operada em palavras como ‘‘boca’’ (atitude ou fato mal feito ou de mau gosto), ‘‘casca’’ (difícil) ou ‘‘balada’’ (sair à noite). Para complicar há ainda os jargões ligados ao esporte, como bem assinala Edson Scander, ex-presidente da Associação de skatistas locais.
‘‘Muitos mudam a toda hora, mas alguns permanecem mais tempo’’ - observa. A lista inclui ‘pro’ (diminutivo de profissional), ‘vaca’ (cair, tomar um tombo), ‘pico’ (lugar adequado para a prática do skate) e ‘basudo’ (aquele que pratica skate em qualquer terreno seja rua, ladeira ou rampa)’’.
Glossário A exemplo deles, a comunidade rap também mantém uma relação lúdica com o idioma pátrio. Oriunda da periferia, a música que embala os adeptos geralmente traz letras repletas de palavras ausentes do dicionário. Segundo o guitarrista ‘‘Reizinho’’, da banda de rap G.A.F, expressões como ‘‘pipoco’’ (tiro), ‘‘mano’’ (amigo), ‘‘na moral’’ (sossegado) e ‘‘vacilão’’ (pessoa hesitante ou que comete erros) são comuns no meio.
O modo de falar dessa turma é tão característico que um disco do rapper paulistano Pivete já chegou às lojas acompanhado de um glossário.

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