Teens são experts em gíria
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sábado, 06 de setembro de 1997
Nelson Sato Londrina 
Paulo WolfgangGabriel Sayão, Iuri Gregório, Haline Ottoni, Melina e Alexandre de Lima: linguagem de triboÉ impossível atravessar as 24 horas do dia sem que se ouça uma gíria. Elas estão em toda a parte: na escola, no trabalho, na rua, no rádio, na TV, dentro de casa. O que parece tão prosaico, porém, pode soar às vezes bem estranho dependendo do ambiente e das pessoas que estão conversando.
Em alguns grupos sociais, as gírias circulam como códigos cifrados, quase ininteligíveis para os que são de fora. É o que ocorre em pátios de colégios onde os estudantes estão sempre inventando palavras novas. Todo dia os meninos chegam com uma gíria diferente - diz Haline Ottoni, 15 anos.
E as gírias mudam de escola para escola - completam Iuri Gregório e Gabriel Sayão, ambos também com 15 anos. A pedido do repórter, eles listaram algumas expressões que costumam usar ou ouvir entre os colegas. A relação é extensa, avisam, citando ruguru (pessoa chata), da hora (bacana, de qualidade), guerreiro (rapaz que fica com menina feia) e pára-quedas (menina que não pode ver homem que já se abre toda).
Jargões Mas se entre os estudantes já é assim, a criatividade vocabular é ainda maior entre as chamadas tribos urbanas. Um exemplo: tente imaginar um jovem estrangeiro que tenha aprendido a língua portuguesa em sua terra natal, e que passando férias em Londrina, resolvesse frequentar um campeonato de skate.
Ele certamente ficaria confuso com a troca de significados operada em palavras como boca (atitude ou fato mal feito ou de mau gosto), casca (difícil) ou balada (sair à noite). Para complicar há ainda os jargões ligados ao esporte, como bem assinala Edson Scander, ex-presidente da Associação de skatistas locais.
Muitos mudam a toda hora, mas alguns permanecem mais tempo - observa. A lista inclui pro (diminutivo de profissional), vaca (cair, tomar um tombo), pico (lugar adequado para a prática do skate) e basudo (aquele que pratica skate em qualquer terreno seja rua, ladeira ou rampa).
Glossário A exemplo deles, a comunidade rap também mantém uma relação lúdica com o idioma pátrio. Oriunda da periferia, a música que embala os adeptos geralmente traz letras repletas de palavras ausentes do dicionário. Segundo o guitarrista Reizinho, da banda de rap G.A.F, expressões como pipoco (tiro), mano (amigo), na moral (sossegado) e vacilão (pessoa hesitante ou que comete erros) são comuns no meio.
O modo de falar dessa turma é tão característico que um disco do rapper paulistano Pivete já chegou às lojas acompanhado de um glossário.


