Pensando bem, esta estreia nacional (veja a programação de cinema na página 2) nem tinha motivo para existir. Sem ser nada do outro mundo, os dois primeiros, ''Underworld'' (2003) e ''Underworld Evolution'' (2006) se deixavam ver sem qualquer evidencia de entusiasmo - eram apenas produções-passatempo para serem esquecidas no estacionamento do shopping. Assim, o único motivo que impulsionou a realização de ''Rise of the Lycans'' foi mesmo o foco comercial. Que também não era nada para grande euforia, uma vez que as duas partes iniciais renderam no mercado mundial modestos 95 e 111 milhões de dólares, respectivamente. E pelos números até agora, essa terceira parte nem vai chegar perto disso, embora a vida útil com o DVD e agregados dê folgadamente para o gasto.
''Anjos da Noite - a Rebelião'' foi concebido como uma prequela, uma trama em flashback que abandona os dias atuais e volta aos tempos em que se iniciou a batalha entre vampiros e lobisomens. Viktor (Bill Nighy), líder dos primeiros, criou Lucian (Michael Sheen), descendente dos segundos e que nasceu com forma humana. Até aqui a coisa ainda é mais ou menos descomplicada, mas logo a história evolui para descabeladas disputas entre guerreiros em suas variantes morcego e lobo.
Lutas contra a tirania e exploração de escravos, busca da liberdade sob a liderança de um personagem central messiânico-redentor que mantêm uma relação amorosa com a filha de seu inimigo. O espectador com a memória em dia logo vai perceber que se trata de uma estranhíssima mescla de ''Spartacus'' e ''Romeu e Julieta'' ambientada numa Idade Média imprecisa. Numa conjuntura sempre sanguinolenta e mergulhada em constante obscuridade, quase todos os suportes narrativos e dramáticos resultam meros pretextos para provocar mirabolantes enfrentamentos, nos quais se incluem subidas pelas paredes e velozes sessões de pancadaria em plena levitação, herança permanente pós Matrix.
Os personagens são planos, e a significação clássica do vampiro se dilui num caldeirão sombrio e pouco original onde se misturam relato medieval, conto fantástico na variante gótica e certas características shakespearianas em seus básicos conflitos de poder e família. Na tediosa monotonia (vale a redundância) que se instala, pelo menos o diretor francês Patrick Tatopoulus mantém alguma moderação com a câmera (mas com a violência não), controlando os excessos da neurótica montagem montanha-russa dos filmes anteriores. Os efeitos especiais cumprem a rotina, e se há falhas ninguém nota porque estão muito bem escondidas na penumbra que é marca registrada da franquia.
Tão parcimoniosa iluminação noturna impede que se avalie o trabalho dos atores principais, mas Bill Nighy e Michael Sheen (o primeiro-ministro inglês em ''A Rainha'') fazem razoavelmente a diferença. Quem for deve atentar para a divertida paródia de uma votação ''democrática''.

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