Tédio mortal
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de novembro de 2009
Lúcia Valentim Rodrigues<br> Folhapress 
O fora de uma namorada faz Jonathan ter um surto de Dom Quixote. Imitando o personagem de Miguel de Cervantes, ele se transforma numa paródia de um detetive dos romances noir de Raymond Chandler.
A batalha contra os moinhos de vento vira, aqui, uma busca desesperada que mostre que Jonathan (Jason Schwartzman) pode ser alguém, de preferência um herói em vez do bêbado maconheiro que sua amada enxerga. Ele não se encaixa no estereótipo do investigador durão, mas se arma do casaco de chuva e do semblante de interrogatório para tentar ser convincente.
Escrita por Jonathan Ames, que deu seu próprio nome ao protagonista, a série ''Bored to Death'' (entediado até a morte) estreia hoje, na HBO.
Jonathan se mete nas encrencas mais esquisitas, mas tudo dá certo porque parece que todo mundo, numa espécie de terapia coletiva, sente falta de mais conversa e da inocência desse desorientado.
Seu parceiro é o editor de uma revista feminina, em crise também, mas pela perda das leitoras. Ele é um misógino, que tem interesse em tudo o que é novo, mas porque sua vida é de um vazio desolador. Este é um interessante papel para Ted Danson, que já foi o dono do bar de ''Cheers'', o vilão interesseiro de ''Damages'' e agora entra nessa interpretação estereotipada, mas que ele carrega com uma hipocrisia elegante.
Esta série curta, de oito episódios, já tem uma nova temporada para 2010. É uma mistura dos personagens neuróticos de Woody Allen com a inadequação de Judd Apatow que sacode o tédio para longe. É mais do que Jonathan poderia querer.
- Bored to Death - HBO, hoje, 22h


