Tecnologia que faz arte
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sábado, 11 de abril de 2015
Adriana De Cunto<br> Reportagem Local 
Curitiba - Se você acha fácil lidar com um aparelho de telefone celular, que tal interagir com 40, alguns deles em outro idioma? Ou então levar uma "chuva" em que as gotas, na verdade, são letras e, se você quiser, pode arrastá-las para qualquer lugar de uma tela gigante branca? Essas são apenas duas das nove "sensações" disponíveis aos visitantes da exposição Arte Cibernética Coleção Itaú Cultural, que ocupa o nobre espaço "Olho" do Museu Oscar Niemeyer (MON), de Curitiba. A mostra, aberta na semana passada, fica em cartaz até 31 de maio.
Poucos dias depois da estreia, as nove instalações da coleção do Itaú já viraram presença constante nas redes sociais dos curitibanos, pois quem passa pelo local não resiste a um "selfie" ou um vídeo em pelo menos uma das obras.
Na entrada da mostra, os visitantes se veem à frente de um jardim virtual gigante, o "Ultra-Nature", de Miguel Chevalier. Projetado em uma parede de 14 metros de comprimento, seis tipos diferentes de plantas digitais luminosas são influenciadas a crescerem por dois sensores de movimento. A vegetação deriva de flores amarelas brilhantes, com hastes turquesa, até cactos sombreados nas cores vermelho e violeta. Assim, o estímulo dos observadores faz com que as plantas se inclinem para os lados, criando cenas incríveis.
Em "OP_ERA: Sonic Dimension", das artistas Daniela Kutschat e Rejane Cantoni, os visitantes vão experimentar sensações proporcionadas pelos trabalhos exibidos em uma relação de interação como, por exemplo, as cordas que vibram com frequências de luz e de som e variam de acordo com a posição relativa e o modo de interação do observador. Em "Life Writer", de Christa Sommerer e Laurent Mignonneau, o espectador datilografa um texto nas teclas de uma antiga máquina de escrever e as letras se transformam em criaturas artificiais que parecem flutuar na tela do papel.
A obra "Les Pissenlits", de Edmond Couchot e Michel Bret, depende da força e duração do sopro do espectador para determinar os movimentos das sementes de um dente-de-leão, que realizam trajetórias complexas e diferentes. Esta obra teve uma primeira versão realizada pelos artistas em 1988, o que a tornou um clássico e influenciou artistas do mundo inteiro. A edição pertencente à coleção Itaú Cultural e em exibição é de 2006, desenvolvida em conformidade com a original.
Outro grande efeito visual está na obra de Raquel Kogan. O visitante regula a rapidez do movimento de centenas de números projetados sobre a parede de uma sala escura, refletidos sobre um espelho dágua rente ao chão. Criando um efeito inusitado, eles nunca se repetem e criam a sensação de subir de um espelho a outro. A instalação também é uma das preferidas do vistante para um "selfie" ou vídeo.
Também chama muito a atenção a instalação "Descendo a Escada", de Regina Silveira, que utiliza a projeção sincronizada de três aparelhos sobre um espaço formado pelo chão e o ângulo de duas paredes gerando um continuum virtual dinâmico. Em "Text Rain", de Camille Utterback e Romy Achituv, a projeção do corpo dos participantes em uma parede é animada com uma chuva de letras que, por sua vez, respondem a movimentos corporais. Como em um game, se um participante acumular letras o bastante sobre a projeção de seus braços estendidos ou da silhueta de qualquer outro objeto, poderá ver uma palavra inteira ou até mesmo uma frase sendo formada, com letras em queda aleatoriamente.
Finalmente, em "Fala", da dupla Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, o público se depara com uma máquina movida pela voz desenhada para estabelecer comunicação e sincronização automáticas entre humanos e máquinas, e entre máquinas e máquinas. Em um microfone, o visitante faz o desafio dizendo uma palavra e 40 aparelhos celulares vão se revezando repetindo palavras semelhantes.
As irmãs Raíssa, de 26 anos, e Hanna Esperança, de 19, foram ao MON conferir a exposição Arte Cibernética no segundo dia da mostra. Raissa é turismóloga, mora em Pereira Barreto (SP) e veio a Curitiba para passar a Páscoa com a irmã Hanna, estudante de Cinema na capital paranaense. "Adorei a exposição, achei superdivertida, bonita, excêntrica", elogia Raissa.
Coleção é pioneira na América Latina
A coleção Arte Cibernética do Itaú é considera uma das pioneiras na América Latina. Ela começou a ser formada em 1997 e essa mostra, que já passou por outras cinco capitais brasileiras, foi organizada pelo Núcleo de Inovação e Artes Visuais do instituto Itaú Cultural. A diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, frisa que é uma "oportunidade ímpar de interagir com essa expressão artística contemporânea, resultante da desafiadora relação entre arte e novas mídias e tecnologias".
"Arte e tecnologia é o termo usado para descrever a arte relacionada com tecnologias surgidas a partir da segunda metade do século XX", define Marcos Cuzziol, gerente do Núcleo de Inovação do instituto Itaú. "Já o conceito de arte cibernética exige a interação constante entre observador e obra, ou mesmo entre partes diferentes da própria obra, para que o trabalho aconteça. Ambos, observador e obra, são interatores", completa.
"Levar uma parte desta coleção a uma renomada instituição brasileira, como o MON, estreita ainda mais a relação de parceria que mantemos há alguns anos e reforça a nossa vocação de ampliar cada vez mais o acesso do público a todos os tipos de arte", diz Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. "A relação entre tecnologia, cultura e arte é um dos grandes objetos de interesse do instituto, e é um tema que procuramos colocar para incentivar o público a refletir sobre ele." (A.D.C.)
Mais obras da Lava-Jato serão expostas
No dia 14 o MON abre uma segunda exposição com obras apreendidas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato e que estão sob a guarda do museu paranaense. As 15 telas da primeira apreensão, que estão expostas, ganham agora a companhia de quadros de artistas renomados apreendidos na sétima fase da operação que apura o desvio de dinheiro da Petrobras. Juliana Vosnika ainda não sabe quantas das 48 obras dessa segunda apreensão terão condições de serem levadas ao público, pois elas passam por quarentena para verificação da presença de fungos ou cupins. São obras de Salvador Dalí, Vik Muniz, Daniel Senize, Antônio Dias, Cícero Dias, Nelson Leirner e Miguel Rio Branco, entre outros. Outras 139 obras foram apreendidas em março na 10ª fase da Lava Jato, mas elas ainda estão em quarentena e só depois poderão ser expostas. (A.D.C.)
SERVIÇO:
Exposição Arte Cibernética Coleção Itaú Cultural
Quando Até 31 de maio, de terça a domingo das 10h às 18h
Onde Museu Oscar Niemeyer (R. Marechal Hermes, 999), em Curitiba
Quanto R$ 6 e R$ 3 (meia-entrada)
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