Tecnologia pode auxiliar educação musical
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Rafael Ceribelli <br> <br> Reportagem Local 
Desde 2008, uma nova melodia vem surgindo gradualmente nas salas de escolas particulares, públicas e federais, e que vem mudando o tom dos rumos educacionais em todo País. Através da Lei 11.769, a educação musical ganhou status de conteúdo obrigatório dentro dos currículos das escolas brasileiras, com o intuito de proporcionar uma introdução sonora para crianças e adolescentes. Mas, como a FOLHA já mostrou anteriormente, muitas escolas estão tendo dificuldades de pôr essa determinação em prática.
Uma ferramenta que poderia auxiliar bastante os educadores nesse processo é a tecnologia, como sugere o professor Inácio Rabaioli, mestre em Educação Musical e que ministra este ano - dentro do programa pedagógico do 32º FML - o workshop ''Introdução à Edição de Partituras no Computador''. ''Esses softwares abrem as portas de um universo diferente dentro da educação musical'', aponta.
Revelando novas possibilidades para o compositor, o arranjador, o intérprete e o educador musical, essas ferramentas modernas hoje já permitem uma interação completa entre o instrumento e o computador, gerando partituras que combinam o som e a imagem. ''A partitura digital é um recurso extremamente rico, porque ao mesmo tempo em que o aluno pode observar a representação gráfica da música, também ouve como a música é executada. Isso possui implicações educacionais bastante fortes'', analisa Rabaioli, fascinado com as possibilidades das novas ferramentas que trabalham com arquivos MIDI e OMR (Reconhecimento Ótico da Música, em inglês).
''Durante séculos, a transmissão da informação musical foi feita exclusivamente pela forma auditiva ou visual. Hoje, conseguimos unir as duas coisas através do computador'', exclama o professor, ressaltando que essas ferramentas são uma vantagem para uma nova geração de músicos, que podem aprender com muito mais facilidade. ''Nas últimas décadas, houve uma mudança tecnológica substancial. É uma revolução'', constata.
Rabaioli acredita que este é o caminho pelo qual a educação musical deve seguir nos próximos anos, unindo conhecimento teórico com a tecnologia. ''Essa tecnologia é boa, mas também é necessário desenvolver o discernimento dos alunos sobre a música, para complementar o processo educativo'', aponta o professor, acrescentando que, em consequência da musicalização obrigatória na educação fundamental das escolas, o repertório da nova geração também será mais completo. ''Mas não podemos esquecer a parcela de responsabilidade da sociedade, que também precisa cumprir uma função educativa e informativa, transmitindo cultura que não seja apenas mercadológica'', adverte Rabaioli, enxergando a educação como uma questão complexa, que transcende a sala de aula e que é também responsabilidade da mídia e dos governantes. ''A criança não é educada apenas pela escola, e nenhuma ferramenta digital vai suprir a falta de informação'', completa.


