Tecnologia na mão de criança
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de outubro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 

Crianças com até dez anos já nasceram em um ambiente dominado pela tecnologia e suas plataformas digitais. Celulares, computadores, tablets, televisão, jogos virtuais, redes sociais, portanto, fazem parte da rotina que mistura o real e o virtual. Eles aprendem a manusear esses gadgtes e aplicativos antes mesmo de outras atividades como as tradicionais brincadeiras ao ar livre. Se para os adultos este é um universo vasto, que gera incertezas, para os pequenos não é diferente. No entanto, pela pouca idade e imaturidade, estão muito mais vulneráveis a diversos tipos de situações que podem ser nocivas.
Pensando em abordar o tema e como ele se apresenta no dia a dia, a jornalista Cassiana Pizaia, a psicóloga Rima Awada e a bibliotecária Rosi Vilas Boas criaram a coleção infanto-juvenil "Crianças na Rede", recém-lançada pela Editora do Brasil, que conta histórias deste mundo novo, cheio de atrações e oportunidades, mas também de dúvidas e riscos. A coleção é formada por quatro livros: "Superligado", "A Floresta Misteriosa", "Máquinas do Tempo" e "Palavras que Voam". Uma das autoras esteve em Londrina para o lançamento da coleção em evento que teve a palestra promovida pela escola Maple Bear "O espaço da tecnologia na vida das crianças: benefícios e prejuízos".
Os livros têm enredos de ficção, cujos personagens principais são crianças que vivenciam situações que poderiam fazer parte de qualquer outra. De forma leve e envolvente, abordam os temas que mais têm preocupado as famílias e escolas. Dentre eles estão o uso exagerado de ferramentas tecnológicas a ponto de interferir na realização das atividades cotidianas da pessoa, na vida escolar e nas relações sociais e familiares, o impacto no sono, como lidar com a falta de satisfação imediata e frustração, assédio, agressões como o bullying e cyberbullying, os riscos da navegação sem supervisão na internet e o impacto da comunicação digital nas diferentes gerações.
"A literatura e, especificamente, a ficção, conseguem atingir os leitores de forma diferente de um texto técnico, como uma artigo, por exemplo, porque pode haver envolvimento com o enredo, identificação com o personagem. É o que acontece com muitas crianças ao se depararem com as situações das histórias. Elas acabam refletindo sobre o tema e o seu comportamento na rede. Por isso, além dos problemas que são não colocados de forma explícita -, mostramos caminhos possíveis e atitudes responsáveis, mas sem ser um manual de conduta. Apesar de serem temas, algumas vezes, graves, não possuem esse peso", diz Cassiana Pizaia, uma das autoras da série.
Os caminhos apontados, segundo ela, permeiam a importância da empatia e do respeito às diferenças, bem como valores de amizade e companheirismo. "Os livros facilitam a comunicação dos pais com os filhos e os educadores, e já mostraram-se um instrumento para estabelecer o contato, a conversa e, a partir dali, a oportunidade para uma relação de confiança para estipular limites." Se o uso responsável das novas tecnologias é o tema central, a importância da não utilização também é abordada, já que, ao desligar os aparelhos, a criança volta a brincar de outras coisas e a estimular a criatividade. "Isso é importante para a imaginação," conclui a autora.
SERVIÇO:
Coleção infanto-juvenil "Crianças na Rede"
Superligado, A Floresta Misteriosa, Máquinas do Tempo e Palavras que Voam
Editora do Brasil
Preço médio: R$ 38 (cada)


