Foi-se o tempo em que a dobradinha giz e lousa / caderno e caneta era suficiente para que os estudantes aprendessem o conteúdo em sala de aula. Isso porque, com a mudança de perfil dos alunos, mais que assimilar a informação, o desafio, agora, é fazer com que sintam-se interessados pelo que estão aprendendo. Sendo assim, a tecnologia tem tornado-se uma aliada atrativa no processo de aprendizagem. Há quem diga que ela disperse, mas experiências em algumas escolas de Londrina estão provando o contrário, desde que usada de forma correta. No Colégio Marista, há um ano, a "blackboard" (quadro negro em inglês), uma plataforma digital a que todos os alunos possuem acesso por meio de um usuário e senha, tem transformado a relação entre os estudantes e professores.
Segundo a analista de tecnologia educacional da escola, Alessandra Garcia, tanto aluno quanto professor podem acessar a plataforma por um computador tradicional ou, ainda, por um dispositivo móvel a qualquer momento. "Nessa plataforma, os professores podem encaminhar exercícios e avaliações para todos os alunos da turma. Mais que isso: junto com o enunciado, têm a possibilidade de anexar um vídeo ou um link como complemento. Os alunos desenvolvem tudo por ali e mandam a resposta para o professor. É muito dinâmico", explica ela, complementando que, se for um trabalho em grupo, há possibilidade, também, de separar os integrantes de forma restrita para que apenas eles vejam o conteúdo executado.

CHAT E REDE SOCIAL
Em outro campo da plataforma está o chat, em que os alunos podem conversar por mensagens instantâneas. "Essa ferramenta é ótima por facilitar a comunicação entre eles e, também, com o professor. Se estiver off-line, recebe uma notificação."
Na mesma plataforma digital, existe ainda um rede social interna, aos moldes do tradicional Facebook, em que cada aluno possui um perfil. Nele, é possível adicionar amigos de toda escola e postar conteúdo que agrade. "Ali, o espaço é livre para o aluno compartilhar temas e links de sua preferência à sua lista. Como tudo é monitorado e gerenciado pela escola, não há circulação de informações impróprias. Uma segurança a mais aos pais", garante.

CRIATIVIDADE
Por se tratar de uma ferramenta relativamente nova, não são todos os professores que a usam. No entanto, o professor de História Geral, Carlos Augusto Portela, tem usufruído da plataforma e já coleciona boas experiências. A mais recente atividade foi a criação de um folder de uma agência de turismo em que seus alunos do primeiro ano do ensino médio tiveram de vender um destino turístico dentre os locais que estavam estudando. "Pensei como poderia aliar o passado com o presente em que eles vivem. Como eles gostam de viajar, sugeri que criassem um material com as localidades as quais estamos estudando os povos, entre eles o Iraque, Líbano, Roma e Grécia", resume. Depois de várias pesquisas sobre o destino e a cultura daquele povo, tiveram de formular um texto informativo e atrativo. "Conseguimos trabalhar, portanto, o poder de síntese, pesquisa e criatividade."
Com o uso de um programa de edição de imagem, os alunos dispuseram texto e imagens para a formulação física do folder. "Levei em conta a parte estética, mas, principalmente, se conseguiram contemplar todas as informações, respeitando o bom português." Todo o processo de envio de material foi feito pela blackboard. Feitas as observações, o professor enviou de volta ao grupo suas correções e comentários. A experiência, conforme ele, agradou muitos alunos. "Alguns relataram ter sido prazeroso trabalhar pela plataforma. Diante desta e outras atividades, acredito que este seja um caminho sem volta. O quadro e os livros ainda são parte principal, mas o uso da tecnologia permite uma interação a qual eles gostam e faz parte do universo atual; a percepção de tempo deles é outra", conclui.
Outra forma de utilização da plataforma blackboard na escola foi de iniciativa de professora de Português, Nilceli Caldeirão. Os alunos do quinto ano tiveram de produzir uma fábula em que abordavam valores morais, como bondade e respeito. "Depois de ouvirem a história na biblioteca, fizeram a própria releitura. Mas, o desafio era escrever apenas até a metade da história. Vão postar esse conteúdo na plataforma para que os alunos de Maringá deem continuidade. Aqui, vão fazer o mesmo: receber o texto de outro aluno e complementar." Essa interação, segundo ela, trouxe motivação ainda maior pela produção do gênero. "Percebi que houve uma melhora na qualidade do texto, porque eles se preocuparam que outra pessoa, além da professora, iria ler. Fora isso, utilizar um meio de comunicação que eles têm proximidade e afinidade só agregou na atividade."

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