Tecno horror chega aos cinemas
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quinta-feira, 25 de julho de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
''Resident Evil'', ou ''O Hóspede Maldito'', como foi rebatizado no Brasil, entra em exibição nacional a partir de hoje com a responsabilidade de não decepcionar os milhares de adeptos que fizeram do videogame original uma das sagas mais rentáveis da história dos jogos eletrônicos. Criada pela Capcom para o Playstation da Sony e o Saturn da Sega, a história desembarca agora na tela grande em adaptação do também diretor Paul W. S. Anderson, o mesmo que já havia adaptado ''Mortal Kombat'' e assinado outras três incursões à ficção-científica.
''A noite em que a Microsoft encontrou os mortos-vivos''. Talvez seja esta uma definição bem amoldável a este estridente e sanguinolento exemplar da variante tecno-horror. A ''Rainha Vermelha'' é o computador, vale dizer, o cérebro eletrônico que controla um gigantesco laboratório subterrâneo (sob a moderna cidade de Raccoon) mantido pela infame multinacional Umbrella Corporation. A empresa desenvolve secretamente um vírus destinado a reanimar o corpo após a morte. O tal vírus, como era de se esperar, foge ao controle logo de saída, infectando e transformando trabalhadores em zumbis canibais. Um grupo de comandos, liderado por Alice (Milla Jovovich) e Rain (Michelle Rodriguez), entra no subterrâneo para tentar isolar o vírus. Agora trata-se de uma corrida contra o tempo, porque a heroína Rain foi mordida e vai se tranformar em mais uma faminta morta-viva se não receber o antídoto.
''Resident Evil'' acaba sendo uma improvável aliança entre dois subgêneros, o ''techno-thriller'' futurista e a vertente zumbi subtraída do manancial de George Romero e John Carpenter. De modo geral é tudo muito previsível, desde o início por sinal bem assustador até o final que já se entrelaça com uma inevitável sequela - ''Resident Evil: Nemesis'', já em linha de montagem. Como tinha agido antes em ''Mortal Kombat'', Paul Anderson organiza a ação muito mais como videogame do que exercício cinematográfico. Seus personagens são quase mudos e/ou monossilábicos, e resultam em caricaturas estilizadas dos modelos digitais. Tudo o que Alice/Milla Jovovich tem a fazer é olhar com olhos brilhantes e determinados enquanto arrebenta portas e enfrenta monstros. Entre esses, por sinal, há protótipos interessantes como uma matilha de doberman-zumbis - com o perdão dos criadores, quase uma redundância - e um ser mutante chamado Licker, com uma língua-chicote. Tudo para incrementar este indigesto mix de tecnologia, paranóia e pesadelo.


