Dorico da SilvaBira Senatore: novidades e reedição de antigos e bons trabalhosUma das formas mais antigas de captação de imagens envolve a caseína, elemento do leite que, trabalhado quimicamente, torna-se sensibilizador. Somada a várias outras técnicas, a caseína se transforma em um instrumento de manipulação de imagens nas obras de Bira Senatore. O artista plástico expõe suas gravuras a partir das 21 horas na Sala Celso Garcia Cid, no Cine-Teatro Ouro Verde.
‘‘Na verdade, para esta exposição, eu formatei o que estava no ateliê. São algumas séries que podem se desdobrar posteriormente’’, revela Senatore. A conjunção das obras do artista resultou numa multiplicidade de técnicas. Entre as novidades, Bira Senatore reeditou gravuras de moscas, expostas há alguns anos, transformando-as num verdadeiro duelo entre o perene e o perecível: os insetos, folheados a ouro, foram impressos em papel-jornal.
‘‘Eu estou trabalhando o limite da reprodução da imagem. A célula é uma gravura composta de diversas maneiras’’, explica. A exposição traz ainda gravuras em metal, cianótipos e vandick - emulsões fotográficas que utilizam o ferro e resultam nas cores marrom e azul -, xerox e caseína, entre outras, num total de 45 obras.
ProtestosEntre os trabalhos se destacam também duas gravuras chamadas ‘‘As grades do MAL’’, confeccionadas com antigos catálogos do Museu de Arte de Londrina - MAL -, e consistem num protesto contra as transformações que o museu vem sofrendo. ‘‘Aquilo é um patrimônio nacional e agora colocaram uma grade cercando uma obra arquitetônica importantíssima, alterando suas características’’, reclama Senatore.
Em metal, o artista desenvolve uma série chamada ‘‘Livro das Horas’’, referência a um livro medieval com orações que eram rezadas de hora em hora pelas mulheres. Esses livros eram cuidadosamente ilustrados. Senatore confessa que resolveu desenvolver seu próprio Livro das Horas há anos: ‘‘Trabalho nesta série desde o começo da década, mas por enquanto ela ainda não tem uma lógica porque está incompleta’’.
O artista revela também que a exposição ressalta as questões do trabalho manual. ‘‘Sou um fazedor, tenho que manipular, e desenvolvi interesse pela linguagem contemporânea. Basicamente esta exposição trabalha modificações na matéria’’. A mostra estará aberta até o dia 31.

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