Técnica reorganiza o corpo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de abril de 1998
Jackeline Seglin 
Dorico da SilvaElena Castelar (primeira à direita) e os alunos do curso: proposta é reorganizar o corpo através da auto-observaçãoA oficina de Técnica Alexander que a Mostra Regional/Nacional está realizando em Londrina, mobilizou cerca de 24 pessoas que, desde o início da semana estão trabalhando com a professora Elena Castelar, da Espanha. Ela é co-fundadora da companhia Zotal Teatre, de Barcelona, e foi convidada pelo FILO para passar sua experiência nesta técnica, que ensina a reeducar e organizar o corpo através da auto-observação e da consciência, integrando o sistema psico-físico como um todo.
Em entrevista à Folha, Elena Castelar contou como surgiu a técnica e como ela é aplicada na vida das pessoas. Segundo Elena, que também é atriz e diretora, a técnica foi trabalhada por um ator australiano, F.M. Alexander, no início do século. Ele tinha problemas de voz. Fazia tratamentos e não solucionava. Percebeu, então, que alguma coisa que ocorria durante os espetáculos provocava isso: um hábito corporal era o causador das inflamações vocais, explica. Elena adianta que esse caso era cotidiano, porém, o esforço e a tensão nas atividades mais complexas pioravam o problema.
Dorico da SilvaElena Castelar: Perda de espaço provoca fragmentação do corpo
O uso incorreto do corpo prejudicava a comunicação do ator. Alexander descobriu que a base da estrutura está na relação cabeça, pescoço e tronco. É importante liberar o pescoço para que a estrutura funcione, explica.
De acordo com Elena, esta técnica ensina como interferimos na nossa organização primária, como vamos tensionando e bloqueando o corpo com o tempo. Através da integração psico-física, os sentidos tornam-se uma importante ponte entre o interior e o exterior da pessoa. É a integração do corpo com o espaço, na qual o espaço dá suporte para o corpo.
A Técnica Alexander apresenta um método para abrir a percepção, a atenção, a consciência e a intenção do ser humano, além da criatividade. Elena exemplifica essa integração ao citar o fato de que, aos focalizarmos alguma coisa à nossa frente, com os olhos, restringimos o espaço e perdemos o que há atrás e acima de nós. A perda de espaço provoca fragmentação no corpo. A parte de trás (as costas) é muito importante porque dá suporte a tudo. Com a fragmentação, as costas perdem a função.
A técnica trabalha basicamente gestos do dia-a-dia - como sentar, levantar, andar. Portanto, todas as experiências reunidas nas oficinas podem ser aplicadas na vida cotidiana. As pessoas têm que estar vivas para ter inspiração e criatividade.
Quanto aos participantes desta oficina em Londrina, Elena assume que são pessoas com ritmos diferentes. São pessoas que vivem de teatro, dança; são professores, psicólogos... Gente muito aberta a este tipo de trabalho. A oficina termina amanhã.
Elena Castelar é formada pelo Instituto de Teatro de Barcelona e trabalha com voz e canto, movimento, linguagem musical e processos criativos. Há três anos ela dedica seu tempo a estudar o método, que foi aplicado também no espetáculo que a Zotal Teatre apresentou em Londrina numa edição anterior do FILO. Nesta época, estava estudando e aprofundando a técnica. E isso me deu muita informação para poder avançar mais no meu trabalho, analisa.


