São Paulo, 05 (AE) - Batucada brasileira com música clássica deram o tom do desfile de Fause Haten, que abriu hoje pela manhã o segundo dia do MorumbiFashion Brasil, que até quarta-feira vai apresentar as propostas do verão 2000 de 17 grifes nacionais, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Com tecidos metalizados, plastificados, paetizados, bordados, crus e coloridos, Fause fez um desfile primoroso na forma e no conteúdo. Jogou com os volumes - de saias plissadas sobrepostas a minivestidos com trabalhos esculturais nas golas e barras. O prata garantiu o lado Star Wars da coleção. Destaque para a falta de acabamento nas peças: calças sem cós, barras por fazer.
O homem de Fause ousa e usa coral, em terno de verão moderno, com jaqueta de neopreone. A estamparia inédita supreende. Tipo carimbo, emborrachadas ou com cara de bordados de ferro sobre a roupa, mudam tudo. Nas transparências, Fause também deu show e fez vestidos e saias ultraleves. O ponto alto da coleção foi um tecido todo colorido, usado em saias e camisetas femininas e masculinas, além do jeans.
Ellus - Ter Kate Moss no casting fez o desfile da Ellus virar assunto antes mesmo de mostrar sua coleção. A top arrasou com sua simplicidadade: entrou quatro vezes na passarela, uma delas de biquíni - e ainda tentou esconder o bumbum com as mãos. Uma bobagem porque a modelo inglesa, bem mignon, tem tudo no lugar. Com o corpo malhado, duríssima, serve de exemplo para as modelos brasileiras, naturalmente abençoadas por Deus, com peito e bunda, que, mesmo seguindo a linha anoréxica, às vezes mostram celulite.
A atitude sem compromisso da modelo refletiu a coleção, que deixou de ser pretensiosa, achando que tudo pode - como quando só fez roupas pretas. Desta vez, propõe um verão levíssimo, com muita tricoline e jeans. Vem com minishorts, biquínis com cinto - que vão às ruas - e bodies com abotoamente de colchetes, além de calças com cintura baixa. As blusas são sempre leves e transparentes, com cascata de babados.
Os jeans têm bolsos deslocados e mais baixos, e costuras espalhadas pela peça. Essa subversão da forma marca a coleção de Alexandre Herchcovitch. Nada é no lugar que deveria ser. Os botões da blusa estão na lateral da peça. A gravata é falsa, torta e é incorporada à camisa. Os tecidos são plastificados, rendados, luxuosos.
Panos esquisitos - com fios de aço, que têm memória, e térmicos, com parafina - também são o forte da coleção da M. Officer. "Seu computador pessoal vai estar na roupa. A miniaturalização dos componentes tecnológicos vai permitir que se imbutam fibras óticas nas roupas, que vão mudar de cor, tirar a pulsação e terão design de longevidade", resume Carlos Miele, visionário da moda que encontra nas artes plásticas uma boa desculpa para mostrar suas roupas-cabeça que, sozinhas, teriam de vir com legenda. A performance da vez foi concebida por Nelson Leiner, que derrubou as paredes entre o camarim e a platéia. Sem trilha, o som ambiente era o dos modelos, que no fim incorporaram a viagem.
A Equilíbrio abriu o MorumbiFashion e anuncia um verão com mistura de tecidos, biquínis e pantalonas.

mockup