TEATRO Talentos paranaenses em Praga
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sábado, 22 de fevereiro de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
Artistas, grupos e instituições estarão representando o Brasil na Quadrienal de Praga Exposição Internacional de Cenografia e Arquitetura Cênica, agendada para o mês de junho, na República Tcheca. O evento, que é uma grande exposição de cenógrafos, figurinistas e arquitetos cênicos, reúne profissionais de mais de 40 países para discutir e pesquisar a linguagem visual do teatro. Entre os pré-indicados para Quadrienal 2003 estão o cenógrafo londrinense Gelson Amaral e o Ateliê de Criação Teatral (ACT), de Curitiba.
A Quadrienal de Praga foi fundada em 1967 e está em sua 10 edição. O Brasil é um dos sete países que já receberam o grande prêmio da mostra, a Golden Triga, em 1995, com a mostra de J.C. Serroni, Daniela Thomas e José de Anchieta, e em 1999, na seção de arquitetura teatral pelo conjunto de trabalhos (curadoria de Serroni). Nos preparativos para a edição 2003 do evento, o Ministério da Cultura nomeou o cenógrafo e arquiteto J.C.Serroni, do Espaço Cenográfico de São Paulo, para ser o comissário geral do Brasil ele já foi curador da mostra em outras duas edições.
A Quadrienal, promovida pela Oistat (Organização Internacional de Cenógrafos, Arquitetos Teatrais e Técnicos), é dividida em quatro segmentos Cenografia e Indumentária Teatral (trabalhos realizados nos últimos cinco anos), Escolas de Cenografia, Arquitetura Teatral e Temática.
Os convidados para participar do evento foram indicados após reuniões com a Secretaria de Música de Artes Cênicas do Minc, instituições voltadas para o universo da cenografia e profissionais da área. Além de Gelson Amaral e do ACT, os pré-indicados são Gabriel Villela, Márcio Medina, Simone Mina, Charles Moeller, Grupo Giramundo (MG), Grupo Galpão (MG), Festa do Boi de Parintins (AM), Espaço Cenográfico de São Paulo, Projetos de Edifícios Teatrais do Grupo Corpo (MG), Complexo de Edifícios Teatrais do Sesc Belenzinho (SP), Teatro do Colégio Santa Cruz (SP), Livro Teatros do Brasil e participação especial no projeto Rei Lear.
Gelson Amaral, ganhador do Prêmio Shell 2002 pelo cenário de ''Da Arte de Subir em Telhados'', em parceria com Paulo de Moraes, está entre os três novos cenógrafos convidados, cujos trabalhos vêm se destacando no panorama brasileiro. O londrinense vai expor três maquetes de espetáculos, além de painéis fotográficos e elementos cênicos de experimentação.
Em quatro anos de trabalho, Gelson Amaral tem mais de 25 trabalhos realizados em Londrina, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os destaques estão os cenários dos espetáculos ''O Corvo'', direção de Edson Bueno, em Curitiba (indicado ao Prêmio Gralha Azul no ano passado); ''Um Unicórnio no Jardim'', também dirigido por Edson Bueno; ''Rito de Passagem'', direção de Angela Papianni, no Rio de Janeiro e São Paulo, e ''Da Arte de Subir em Telhados'', parceria com o diretor Paulo de Moraes, no Rio de Janeiro.
Uma característica nos cenários de Gelson Amaral e que, segundo ele, define a sua linha de criação, é a possibilidade de transformação. ''Gosto do inesperado, do movimento e de lidar com o que está na mão. Gosto do cenário que se transforma. A partir disso, cada espetáculo pede uma forma, uma idéia diferente'', diz.
Gelson Amaral, 37 anos, é formado em arquitetura na Universidade Estadual de Londrina. Ele vislumbrou na cenografia uma ponte para outras áreas com que tinha afinidades. ''Sempre gostei de artes, fotografia, teatro... Descobri na cenografia que podia unir e conquistar todo esse universo artístico'', diz.
Em 1996, Gelson Amaral fez um curso com J.C. Serroni em São Paulo. Nessa época, foi assistente de cenografia de Marcos Weinstok no espetáculo ''Intensa Magia'', de Maria Adelaide Amaral. Depois, o profissional retornou a Londrina onde realizou vários trabalhos em parceria com Paulo de Moraes, da Armazém Companhia de Teatro.
Para Gelson Amaral, a participação na Quadrienal de Praga é um reconhecimento do seu trabalho. ''O evento reúne cenógrafos do mundo todo e poucos têm a chance de ter o nome lá. Essa participação pode se reverter em grandes possibilidades de trabalho, sem contar o contato com vários profissionais de outros países. O intercâmbio é uma das coisas mais importantes desse evento'', finaliza.


