TEATRO Provocar o riso é um desafio
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de maio de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
O final de semana marcou a estréia nacional de dois grandes atores no elenco da comédia ''Com a Pulga Atrás da Orelha'', que tem sua última apresentação em Londrina hoje, às 18 horas, no Teatro Marista. Débora Duarte e Othon Bastos foram convidados a integrar o espetáculo, dirigido por Gracindo Jr., em substituição aos atores Maitê Proença e Rogério Fróes. Em um bate papo com a reportagem da Folha 2, eles falaram do desafio de ingressar em uma produção que estreou em meados do ano passado e de contracenar com um elenco afinado. Também falaram de novos projetos, de televisão, cinema e do atual cenário do teatro brasileiro.
Com o texto do dramaturgo francês Georges Feydeau há apenas uma semana nas mãos, Débora Duarte viveu na sexta-feira a expectativa do único ensaio geral antes de entrar no palco no papel de uma esposa desconfiada, ao lado dos colegas Herson Capri, Edwin Luisi, Stela Freitas, entre outros. ''Além da necessidade urgente da substituição, outros motivos me levaram a aceitar o convite. Gosto muito de comédia e fazer um vaudeville é divertidíssimo. Somado a isso tem o fato de poder contracenar com uma de minhas filhas, Daniela, que está no elenco'', comenta Débora.
Aos 26 anos, a atriz, escritora e produtora Daniela atua pela primeira vez ao lado da mãe. Aliás, Débora Duarte se prepara para entrar em uma superprodução no teatro que terá à frente sua outra filha, Paloma. A realização do projeto está prevista para 2004.
Débora Duarte salienta sua satisfação em interpretar uma peça de Feydeau. ''É um texto que nos deixa bem humorados para poder fazer o público rir; que traz a satisfação da reação imediata da platéia. É o prazer proporcionado pela precisão do texto, que parece um relojinho''. E se, em determinado dia, o humor não estiver tão bom assim? ''Na nossa profissão, o que a gente sente é o que menos importa em cena. O importante é fazer com que os outros sintam. É uma espécie de alquimia. A gente aprende a transformar a energia bruta no sentimento necessário'', diz.
Othon Bastos encarou o mesmo desafio de Débora Duarte, porém, já com maior intimidade com o texto. Ele participou do elenco de outra montagem da peça, nos anos 80, sob a direção de Gianni Ratto. Fazia o espanhol D. Carlos. Agora, ele substitui o ator Rogério Fróes no papel de outro personagem, o médico Dr. Finache. ''Trabalhar com todos esses atores é um prazer muito grande. Já atuei com muitos deles. É um belo grupo de amigos''.
As características do vaudeville no texto de Feydeau também reforçaram a tendência de Bastos em aceitar o convite para a nova montagem. ''O ator tem que entrar inteiro na diversão para poder divertir o público e essa peça proporciona isso''.
Othon Bastos iniciou sua carreira de ator na Bahia, fazendo teatro estudantil. Na década de 50 foi para o Rio de Janeiro e entrou para a escola de teatro de Paschoal Carlos Magno. Em 1960, foi um dos fundadores da Companhia Teatro dos Novos. Nessa época, casou com atriz a Martha Overbeck. No cinema estreou em 1962, com ''Sol Sobre a Lama'', de Alex Vianni. Em seguida participou de filmes marcantes como ''O Pagador de Promessas'' e ''Deus e o Diabo na Terra do Sol''. Na década de 70 criou, com Martha Overbeck, a Companhia Othon Bastos.
Hoje, aos 52 anos de carreira, o ator baiano tem no currículo mais de 30 novelas e minisséries e em quase meia centena de espetáculos teatrais, como ator e diretor. No cinema, são mais de 40 filmes, incluindo ''Central do Brasil'', ''O Bicho de Sete Cabeças'' e ''Abril Despedaçado''.
Othon Bastos tem novos planos para o teatro e o cinema. Em outubro deve estrear o espetáculo ''Como Aprendi a Dirigir''. No cinema ele ainda não pode revelar qual será a nova empreitada, prevista para julho ou agosto. Na televisão, o ator vai dar um tempo, depois de duas produções seguidas na Rede Globo. Ele atuou na novela ''Esperança'' e na minissérie ''A Casa das Sete Mulheres''.
Assim como o colega de elenco, Débora Duarte não está em nenhum projeto de televisão no momento, apesar do contrato com a Globo assinado até junho. Filha do também ator Lima Duarte, Débora é uma das atrizes com maior número de participações em novelas, entre elas, Beto Rockefeler (1968), Pecado Capital (1976) e, mais recentemente, ''Terra Nostra''. Em televisão fez cerca de 40 trabalhos.
Prestes a completar 50 anos de carreira, a atriz avalia que sua vida profissional não foi marcada por sobressaltos. ''Na minha carreira foi tudo muito constante. Comecei aos quatro anos, na extinta TV Tupi, fazendo teleteatro, ao vivo. Depois fui fazer teatro aos 16 anos e nunca parei''.
Com uma vivência marcante em diversas fases do teatro brasileiro, ela analisa que o atual momento apresenta mais dificuldades do que no início da sua carreira. ''Está mais difícil produzir, pagar ingresso, alugar teatro, conseguir patrocínio... não aumentamos muito o público de teatro. Talvez hoje estejamos caminhando para fazer um teatro mais popular''.
SERVIÇO:
''Com a Pulga Atrás da Orelha'' Comédia de Georges Feydeau. Hoje, às 18 horas, no Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 241), em Londrina. Ingressos: R$ 30,00 (inteira), R$ 25,00 (leitores da Folha de Londrina, com bônus) e R$ 15,00 (estudantes). Apoio cultural: Folha de Londrina.


