Teatro para todos os gostos
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de março de 1997
Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
DivulgaçãoDeborah Pope e Rodrigo Matheus, em DeadlyUma peça que remete à literatura de cordel, outra que se move na densidade dos dramas escandinavos, uma tragicomédia de humor ácido e um espetáculo performático, com os personagens comunicando-se apenas em gestos. Estas são as atrações de hoje do 6º Festival de Teatro de Curitiba.
Romeu e Julieta, com a Trupe Romançal de Teatro, que será apresentada ao meio-dia na Feirinha do Largo da Ordem, não é mais uma adaptação de Shakespeare. A versão nordestina, baseada num folheto publicado no Ceará, O Romance de Romeu e Julieta, é diferente da peça escrita pelo autor inglês, que por sua vez baseou-se em outras lendas.
A história dos amantes adolescentes sofreu forte influência da sociedade sertaneja, na época em que foi escrita. Pelas leis sociais de então a família era mais importante que o indivíduo. Isso faz com que o drama assuma outros caminhos. O amor, misturado a ódios e rancores, é o mesmo que atravessa os séculos, mas acrescido dos códigos de honra que movem o homem da caatinga.
Sem falaO Teatro do Paiol reabre suas portas, depois de meses mergulhado no silêncio, para apresentar uma montagem que trabalha justamente com o silêncio. Deadly, com os performáticos Deborah Pope e Rodrigo Matheus, comunicam-se com o público usando a emoção e as técnicas de corda e trapézio. Nada mais que isso.
Os dois personagens representam o homem e a mulher e a eterna relação feita de tensão e paz, momentos de alegria e desespero. A caminhada através dos sentimentos segue pela temática dos sete pecados capitais. As sete leis que povoam a formação cultural dos povos ocidentais.
DivulgaçãoRomeu e Julieta, em versão nordestina
A liberdade alça vôo pelas barras do trapézio. Mas quando a paixão habita os corações, escurece a visão e tira o solo sob os pés, também é o trapézio que dá a dimensão do perigo. Da queda, derrota e dor. Daí a importância do objeto circense em cena, metáfora a pairar sobre os atores.
Deborah Pope é neo-zelandesa residente em Londres. Ela e Rodrigo Matheus viajam o mundo como professores de técnicas circenses e teatro físico, a convite do Circus Space, de Londres, e do Circus Oz e Flying Flys, da Austrália.
Prêmio MambembePela primeira vez encena-se o autor austríaco Thomas Bernhard no Brasil. Um dos mais significativos escritores alemães (1931-1989), alimentou durante toda a vida uma aversão profunda pela Áustria, por causa do nazismo e do neonazismo. Deixou uma ordem: durante 50 anos, a partir de sua morte, nenhuma de suas peças poderia ser apresentada nesse país.
É desse autor a tragicomédia No Alvo, que estréia esta noite no Teatro do Sesc, com Maria Alice Vergueiro. A atriz levou o prêmio Mambembe pela atuação no espetáculo. Com humor ácido a montagem desmascara o discurso político e cultural das classes dominantes, ao mesmo tempo que discute o papel do artista na sociedade.
Uma mulher cruel e autoritária, viúva de um empresário dono de uma fundição, vive uma relação sadomasoquista com a filha, fraca e oprimida. Elas preparam-se para viajar até a casa de praia, em companhia de um jovem escritor, quando todos os nós desatam.
Tom psicológicoOs paranaenses estão no Festival de Teatro com Nora - Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen. O diretor Felipe Hirsch coloca no palco um espetáculo que se distancia dos tons do autor para ganhar uma espécie de modernidade sob o filtro do também escandinavo Ingmar Bergman. Bergman deixou o texto mais veloz, explica o diretor. Está também mais contemporâneo, perdeu um pouco do discurso feminista.
Num tempo de experimentalismos, Casa de Bonecas é um espetáculo que teima em ir na contramão, avisa Hirsch. Montado no palco do Tuca (teatro pouco conhecido, na Puc) seu clima é de densidade e entrega. A peça foge às paralelas do certo e do errado, do vencedor e do vencido. Não há heróis contrastando com os vilões. Todos são um pouco perdedores, explica o diretor.
Por caminhar dentro dos sentimentos das pessoas a temática é sempre atual, comentou Ronald Teixeira, responsável pelos cenários e figurinos. O cenário, aliás, é uma grande gaiola, de onde os personagens entram e saem, embora sempre prisioneiros das leis da vida.
q Romeu e Julieta , direção de Romero de Andrade Lima. Com Aramis Trindade, Geraldo Moura, Paulo de Pontes, Zuleira Ferreira, Tiago Dines, Jorge Clésio e Lucinha Guerra. Dia 16, ao meio-dia, na Feirinha do Largo da Ordem.
q Nora, Casa de Bonecas - de Henrik Ibsen. Direção de Felipe Hirsch. Com Thaís Tedesco, Edson Rocha, Erica Migon, Marco Mattana, Ênio Carvalho. No Tuca (Teatro da Puc), dia 16 às 21h30, e 17 às 20 horas.
q No Alvo - de Thomas Bernahrd, direção de Luciano Chirolli, com Maria Alice Vergueiro, Agnes Zuliani, Marinez Lima, Luciano Chirolli. No Teatro do Sesc, dia 16 às 21h30 e 17 às 20 horas.
q Deadly , direção de Sandro Borelli, com Deborah Pope e Rodrigo Matheus. No Teatro do Paiol, dia 16 de março às 21h30 e 17 às 20 horas. Preços dos ingressos dos espetáculos: R$ 17 e R$ 10 (para estudantes).


