Grupo Curumin Açu em ‘O Chapeuzinho Vermelho’: teatro como veículo para a literatura
Grupo Curumin Açu em ‘O Chapeuzinho Vermelho’: teatro como veículo para a literatura | Foto: Divulgação



Do tablado, eles se deparam com olhares encantados pela história que é encenada, pelo colorido das roupas, pela tonalidade da voz e pelas diferentes formas de expressão. A cada espetáculo da companhia teatral londrinense Curumim Açu, o encontro visual entre o público infantil e os atores é um novo despertar para seus repertórios. Os artistas dizem que a cada encenação, descobrem pontos de interesses nas crianças que os levam a adaptá-los de imediato, na base do improviso ou então, na próxima peça.

Já para o público, essa vivência é um campo de experiências ilimitado. Desde as diferentes linguagens até o enredo, as crianças se aproximam do universo literário. Isso enriquece o conhecimento e realça a grandeza da linguagem teatral ao aguçar os sentidos e construir o conhecimento, o pensamento crítico e a percepção dos sentimentos.

os atores Carol Alves, Rafael Avansini, Olifa Ollon e Katya Vignard: proposta teatral como parte da educação
os atores Carol Alves, Rafael Avansini, Olifa Ollon e Katya Vignard: proposta teatral como parte da educação | Foto: Ricardo Chicarelli



"É o poder da arte. Sempre digo que somos educadores, além de atores. Estamos trabalhando com um público que vive um momento de formação de visão de mundo e o teatro nos permite transmitir esse conhecimento com sensibilidade", diz Rafael Avansini.

Ele integra o Curumim Açu, ao lado de Olifa Ollon e Carol Alves nos espetáculos do Teatro do Clubinho que acontece semanalmente no Londrina Norte Shopping (região norte), com produção da Atmosfera Eventos.
A companhia tem a proposta de formar o público infantil para o teatro. A cada mês, um clássico da literatura é apresentado todos os sábados e domingos em duas sessões (16h e 18h).
Na primeira montagem do ano, a companhia apresentou o clássico "Chapeuzinho Vermelho" e nesta semana, começou a encenar o espetáculo "João e o Pé de Feijão", que indiretamente, transita pelo contexto da pobreza e o sentimento de tristeza.
A produtora do Teatro do Clubinho, Katja Vignard, conta que todas as peças buscam tocar em questões emocionais ou do cotidiano das crianças. Para isso, o grupo aposta muito na interação e espontaneidade do momento.
"No 'Patinho Feio' por exemplo, foi muito interessante ver a criançada ir para a frente do palco para acolher o patinho que era encenado pelo Olifa. Elas ficaram comovidas com a história dele ser excluído", lembra.
E nesse universo de "faz de conta", o real vai ganhando muito mais sentido. "Aplicamos algumas pesquisas e fomos descobrindo que em determinados momentos e dependendo do personagem, as crianças sentiam medo. Diante disso, estamos preparando para em breve apresentar 'Chapeuzinho Amarelo', do Chico Buarque, que fala justamente dos medos", afirma.
Ir ao encontro do teatro é ainda um passeio em família, onde os adultos também vivenciam esse universo, muitas vezes até pela primeira vez. "O teatro é um lugar onde todo mundo é igual. Hoje, as crianças são cercadas por um bilhão de informações que não são sinestésicas. Já no teatro sim. Elas passam pela vivência, têm contato visual próximo", destaca Ollon.
O grupo ainda ressalta os diferentes níveis de leitura. Enquanto os menores percebem as cores, as formas e as luzes, os maiores agregam outras percepções, como as expressões corporal e oral. "Depois que acaba o espetáculo, elas continuam formulando esse conhecimento, o que as leva a pensar sobre outras questões e levar isso adiante, ou seja, para fora do teatro", aponta Alves.

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