Parecia ser um domingo normal, mas no dia 12 de fevereiro de 2012, por volta das 15h45, o Teatro Ouro Verde estava em chamas. Os primeiros indícios de fumaça foram percebidos pelo vigia do local. Às 16 horas, os bombeiros já estavam realizando seu trabalho diante de uma cidade atônita. Pessoas comuns, artistas, profissionais da imprensa, dezenas de pessoas se dirigiram à frente do espaço que por 60 anos marcou gerações. Os primeiros namoros embalados por filmes românticos e faroeste, formaturas, apresentações culturais, é difícil alguém que não tenha pelo menos uma história marcante e pessoal para contar tendo o Ouro Verde como cenário principal.

A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Nádina Moreno, lembra que recebeu a notícia do incêndio por telefone, da parte da sua assessora de imprensa. Assustada, conta que a primeira pergunta foi se havia algum ferido e a resposta negativa, de alguma forma, conseguiu amenizar um pouco a dor. Ao chegar no local, era difícil acreditar que aquele cena fosse real. "Ficamos no local até às 22 horas, quando os bombeiros encerraram o serviço. A vontade era ficar ali, como se estivéssemos velando um ente querido", conta.

No dia seguinte, ao adentrar no teatro, a imagem das cadeiras queimadas, com a estrutura de metal preservada que lembrava uma cruz replicada centenas de vezes, gerou mal-estar. "Graças a Deus não houve vítimas. E hoje, ainda mais com a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS), isso reforça ainda mais a nossa preocupação com a segurança do local e a projeção das saídas de emergência", ressalta Nádina.

Depois da tragédia, uma comoção mobilizou vários setores da sociedade londrinense em prol da reconstrução do Ouro Verde. A parceria firmada entre a UEL e o Sindicato da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), de forma voluntária, acabou promovendo uma união de forças para a elaboração de um complexo projeto para reconstruir o teatro com o apoio fundamental do governo do Estado.

Orçado em R$ 16 milhões, o projeto final será entregue em mãos pela reitora na Secretaria Estadual de Cultura, no próximo dia 19, para a aprovação e ajustes finais. "Essa verba já está no orçamento de 2013, aprovada pela Assembleia Legislativa no final do ano passado. Agora é só darmos continuidade ao processo burocrático, que inclui a licitação. Espero que em junho já comecemos a obra", garante a reitora.

Determinada, Nádina almeja ver o Ouro Verde reconstruído até o final do primeiro semestre de 2014, quando termina a sua gestão. "Não sei se vai ser eu quem irá colocar a placa de inauguração, mas é um compromisso empenhado que envolve toda uma comunidade. Apesar de trágica, todos nós aprendemos muito com essa situação e pudemos ver o lado solidário das pessoas aflorar", avalia. "No início, cheguei a me perguntar por que isso tinha que acontecer na minha administração, mas quase de imediato lembrei das sábias palavras da minha mãe, de 79 anos, de que nada acontece por acaso, tudo tem uma razão de ser e que o nosso tempo é diferente do de Deus. Isso me deu força", avalia.

Campanha do patronato
Das cadeiras originais, sobraram duas, que haviam sido reformadas e no dia do incêndio estavam na secretaria do teatro aguardando para serem colocadas no auditório. Agora, viraram símbolo de um tempo áureo e irão servir de modelo para mostrar para a população como serão as placas de metal do patronato das novas cadeiras. Nessa fase inicial, 300 cadeiras estão sendo vendidas a R$ 5 mil como forma de arrecadar fundos adicionais para a obra. Desse total, cinco já foram vendidas – a primeira para o dentista Marcos Luppi.

A venda de lencinhos alusivos ao teatro também foi realizada durante o ano passado, mas a diretora da Casa de Cultura, Magali Kleber, informa que a arrecadação só foi suficiente para cobrir os custos da iniciativa. Uma conta-corrente (Banco Itaú 14-888-8, na agência 4113) também foi criada para doações espontâneas. Na última sexta-feira, um grande banner com apontamentos sobre as providências que já foram tomadas em relação ao Ouro Verde seria colocado em frente ao tapume que preserva o que restou do espaço físico.

"A nossa arrecadação ainda está muito tímida porque a partir de agora é que vamos intensificar a campanha. Tudo está sendo feito com muito cuidado e transparência, tendo sempre em conta o respeito às pessoas que querem participar desse processo de reconstrução, mesmo com um valor simbólico, que tem um grande significado", afirma Magali.

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