A proposta de transformar o espectador em protagonista da ação dramática, que fez furor na década de 70 pelas mãos do teatrólogo brasileiro Augusto Boal, ainda inspira simpatizantes em todo o mundo. Batizada de ''Teatro do Oprimido'', essa vertente teatral vem mobilizando uma nova geração de seguidores em Londrina, que sedia a partir de hoje sua II Mostra do Teatro Oprimido.
A programação se estende até domingo com apresentações em diversos locais incluindo o Calçadão, o Espaço Cênico do Sesc-Aeroporto e centros regionais de assistência social espalhados pelos bairros periféricos da cidade. Tudo com entrada franca. Entre os grupos escalados estão o Caos & Acaso, Fhato, Reviver, Stog, Ato e Trio Coragem.
As peças elencadas resultam do projeto ''Teatro e Transformação Social ano II'', realizado pela Fábrica de Teatro do Oprimido de Londrina com o objetivo de estimular a formação de grupos populares vinculados a essa tradição cênica. ''A idéia da Mostra é enriquecer o debate em torno da cidadania, divulgando as diversas técnicas de teatro do oprimido e suas possibilidades de utilização nas áreas da saúde, educação, no combate à violência e ao preconceito, na prevenção da AIDS, nas discussões de gênero e em outros setores da sociedade'' detalha o texto de apresentação assinado por Roberto Sales, diretor artístico da Fábrica.
Em parceria com a Secretaria de Ação Social, serão promovidos espetáculos dentro das próprias comunidades atendidas pela pasta visando à re-construção da cidadania, auto-estima e inclusão social de crianças e adolescentes. A programação conta ainda com um convidado especial: a trupe do Dr. Palhaço, projeto desenvolvido no Sesc-Aeroporto que utiliza-se de técnicas teatrais e circenses para fazer visitas a pacientes em hospitais.
Praticado em mais de 70 países, o Teatro do Oprimido foi concebido pelo dramaturgo Augusto Boal para provocar a platéia arrancando-a da passividade habitual. A idéia era lançar o espectador no centro da ação dramática estimulando-o a refletir sobre o passado, a mudar a realidade no presente e a inventar o futuro. ''Esse tipo de teatro utiliza uma concepção de obra inacabada'' explica Sales.
''O ato é chamado de 'esquete', isto é, um esboço de ato, e não tem um fim determinado e prescrito. A intervenção do público é que define o final da cena. Assim, o público deixa de ser espectador e se torna participante, apresentando alternativas para a questão debatida e se envolvendo na discussão do problema. O indivíduo é levado a refletir sobre determinada situação, polemizando-a junto com os outros espectadores''.
Além de Sales, o grupo organizador da II Mostra do Teatro do Oprimido é encabeçado por Nádia Burk (direção de produção) e Aline Oshiro (direção execu
tiva). O evento tem amparo do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Mais informações podem ser obtidas pelos fones: (43) 3339.7766 e 9115.4830 (Nádia Burk) ou pelo e-mail: [email protected]. Interessados em saber mais sobre o Teatro do Oprimido poderão acessar o Centro de Teatro do Oprimido do Rio de Janeiro (www.ctorio.org.br), a Fábrica de Teatro do Oprimido de Londrina (http://ftolondrina.zip.net) e a Associação Internacional de Teatro do Oprimido (www.theatreoftheoppressed.org).

Serviço:
II Mostra do Teatro do Oprimido:
- Hoje
- Protesto cênico ''Seres Televisivos'' Grupo Fhato. Horário: 12h30. Local: Calçadão
- Espetáculo ''Essas Mulheres'' Grupo Caos & Acaso. Horário: 9 horas. Local: CRAS (Centro Regional de Assistência Social) do Jardim Olímpico
- Espetáculo ''Concertos'' Dr. Palhaço. Horário: 16 horas. Local: Viva a Vida do Jardim Marabá

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