Teatro Nélson Rodrigues é inaugurado amanhã em SP
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 09 (AE) - Graças à iniciativa de um casal de empresários, Joaquim Mendonça e Dora Corrêa de Mendonça, São Paulo ganha um novo espaço teatral, o Teatro Nélson Rodrigues, que será inaugurado amanhã (10), com a estréia de "Anjo Proibido (Outros Nelson)", com dramaturgia e direção de Kiko Jaess. Três crônicas de Nélson Rodrigues, "Meu Querido Amor Bandido", "Pouco Amor não É Amor" e "Ensaio Geral - Vestido de Noiva", serviram como ponto de partida para a criação do espetáculo interpretado por 15 atores.
Mendonça arrendou o antigo Teatro da Praça para a montagem da peça infantil "Rumo à Terra de Cabral", escrita pelo filho dele, Kiko Mendonça, disposto a realizar obras urgentes na estrutura precária do prédio, entre elas, o conserto do telhado e das instalações elétricas. Mas o projeto entusiasmou toda a família, que investiu cerca de R$ 120 mil, entre as primeiras obras e a produção de "Anjo Proibido" e pretende realizar uma ampla reforma, transformando o antigo teatro em moderno espaço cultural. A peça infantil ainda não tem data definida para estrear.
Antes de ser um espaço teatral, o prédio abrigava uma igreja e, por isso, o projeto de reforma encomendado pela família prevê a recuperação de parte da estrutura original do edifício. "Queremos, por exemplo, instalar uma réplica do sino da igreja", diz o diretor de Produção, Jair Aguiar. Em breve, no Teatro Nélson Rodrigues, no lugar do som da campainha, o público ouvirá o som dos sinos anunciando o início do espetáculo.
"Querido Amor Bandido", a primeira história de "Anjo Proibido", foi extraída do correio sentimental que Rodrigues escrevia para o "Diário da Noite", com o pseudônimo de "Myrna". Em 1949, o dramaturgo recebeu a carta de uma leitora que contava a paixão por um bandido. Ela lamentava o fato de ter sido abandonada por ele, que fugiu levando um anel valioso. Desde então, ela estava confinada em sua casa.
Kiko Jaess resolveu recriar esse drama. "Utilizei diálogos de peças como Bonitinha, mas Ordinária, entre outras, de forma a contar essa história, sendo fiel ao universo de Nélson." A segunda trama, "Pouco Amor não É Amor", foi retirada de uma crônica escrita para a revista "Ficção", em 1963, e gira em torno de um casal cujo namoro tem início num velório. "A morte era uma das obsessões do Nélson", lembra Jaess. Apesar do local insólito para um flerte, o humor predomina na história.
A terceira e última parte do espetáculo foi inspirada na crônica "Ensaio Geral - Vestido de Noiva", na qual o dramaturgo relata o aparente caos e nervosismo que precedeu a histórica estréia de "Vestido de Noiva", em 1943, sob direção de Ziembinski.
Em "Anjo Proibido", o dramaturgo também virou personagem e ele conduz todas as histórias. "Estamos fazendo uma homenagem ao Nélson e, no prólogo, ele tem uma espécie de delírio no qual revê momentos importantes de sua vida."
Jaess afirma ter buscado inspiração no expressionismo alemão para sua concepção cênica. Além dos tons cinzas e negros, há referências a obras expressionistas como o quadro O Grito, de Edvard Munch. Os figurinos criados por Patrícia Coelho remetem às decadas de 40, 50 e 60. A trilha sonora de Manuel Candeias, também parceiro de Jaess na adaptação da última crônica, reforça a atmosfera trágica e mescla, entre outras músicas, tangos de Astor Piazzola com trechos da ópera Carmen, de Bizet.
"Anjo Proibido (Outros Nélson)". Texto e direção de Kiko Jaess. Duração: uma hora. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas. 20 reais. Teatro Nélson Rodrigues. Rua 13 de Maio, 830, tel. (11) 288-3887. Até 19/12


