Um escritor acorda um dia e descobre que, na verdade, está morto. Passa a experimentar a perplexidade de sua condição, atormentado por inquietações filosóficas.
Essa é, simplificadamente, a trama da peça "O Primeiro Dia da Eternidade", que estreia temporada hoje para convidados e amanhã para o público em geral, permanecendo em cartaz até 8 de junho com sessões às sextas, sábados e domingos na Vila Triolé Cultural, em Londrina.
Produzido pelo cenógrafo Alex Lima, que também assina o figurino e o cenário (em parceria com Rogério Costa), o espetáculo traz texto de Luan Valero, direção de Alexandre Simioni e elenco formado pelos atores Barbara Blanco, Gerson Bernardes e Tiago Marques.
Originalmente, a montagem seria uma adaptação da peça "Entre Quatro Paredes" (Hui Clos), de Jean Paul Sartre (1905-1980). O processo de criação, porém, foi impondo modificações à ideia inicial. "Ela deixou de ser uma adaptação para ser uma inspiração", diz Simioni.
"O próprio Sartre está presente no texto como intertexto. É uma forte influência, mas não uma influência direta. Me propus fazer um trabalho mais autoral", assinala Valero, embora revele que tenha emprestado a célebre formulação sartreana de que "a existência precede a essência" para construir a dramaturgia do espetáculo.
"Valero possui um talento incrível. Dá continuidade à linha de dramaturgos formados em Londrina. Representa a nova geração dessa linha", salienta Lima. Ele surgiu como autor e ator do grupo Casca com a peça "De Novo", montada em 2008 e apresentada no Festival Internacional de Londrina (Filo) de 2010.
Depois escreveu o espetáculo cênico-musical "Feitiço da Vila", uma homenagem a Noel Rosa que contava com participação de bailarinos da Cia Ballet de Londrina. Posteriormente, escreveu e atuou na premiada peça "A Pereira da Tia Miséria", do Núcleo Ás de Paus. Lima também fez parte dessa montagem assinando o figurino.
Idealizador de "O Primeiro Dia da Eternidade", ele estreia como produtor após anos de dedicação profissional à construção visual de espetáculos alheios. "Desde que cheguei a Londrina, há 13 anos, sempre trabalhei para outros grupos", conta o artista. "E sempre sentia um vazio após as estreias dos espetáculos. Há dois anos, quis encarar um novo desafio já que meu nome como cenógrafo e figurinista já estava estabelecido na cidade. Senti vontade de produzir, de poder escolher elenco e textos. Foi assim que nasceu a ideia de montar essa peça. E como era uma empreitada nova, quis me cercar de pessoas próximas. Daí fui chamando companheiros. Acho que será um desafio também para eles. Todos nós estamos numa mesma barca".
A observação faz sentido particularmente em relação ao diretor da montagem, Alexandre Simioni, mais identificado pelos trabalhos desenvolvido na área de humor com palhaços. Ele confessa que hesitou ao ser convidado para dirigir o drama existencialista. "Senti essa dificuldade no início, mas depois de pesquisas e rodas de conversa com o elenco e com o Valdir Grandini (que nos ajudou muito apresentando textos), tudo foi se construindo. É uma experiência desafiadora e interessante para mim e para os atores Gerson Bernardes e Tiago Marques, que também atuam profissionalmente como palhaços", diz.
O espetáculo foi viabilizado com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Vale lembrar que haverá sessões duplas aos sábados e domingos. A entrada é franca, mas o público deverá retirar os convites com uma hora de antecedência no local.

SERVIÇO
Espetáculo "O Primeiro Dia da Eternidade"
Quando - Pré-estreia para convidados hoje e apresentações para o público em geral amanhã às 21h; sábado e domingo às 19h e 21h; dia 6 de junho às 21h; dia 7 de junho às 19h e 21h; e dia 8 às 19h e 21h.
Local - Vila Triolé Cultural (R. Etienne Lenoir, 155, Vila Industrial), em Londrina
Ingressos - Gratuito
Informações - (43) 3024-3330

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