TEATRO EM GRANDE TEMPORADA
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Até o dia 5 de dezembro o Teatro Novelas Curitibanas continua sob os cuidados da Confraria Cênica Ltda, que ali se instalou no mês passado. A companhia liderada por Pazello e Sílvia Monteiro movimenta o espaço oferecendo ao público uma semana inteira de atrações.
Às terças e quartas-feiras, às 20 horas, tem A Mulher; O Sofá de quinta a sábado, às 21 horas e domingo às 19 horas; Fábulas Curitibanas aos sábados, às 19 horas; e aos sábados e domingos, às 15h30, tem dois espetáculos numa só sessão: Juca na Caixa e Los Bonecos no País da Gramática, destinados ao público infantil. Hoje estréia O Sofá, de longe o trabalho mais ambicionado pelo casal. Será lindo, dizem em uníssono.
O Novelas Curitibanas pertence à Fundação Cultural de Curitiba, mas foi cedido à Confraria através do projeto Na Companhia do Teatro, uma bem-sucedida campanha da FCC, que durante o ano distribuiu seus teatros para ocupação de conceituados grupos locais. Temos muito orgulho de estar cumprindo totalmente o projeto, diz Sílvia, referindo-se ao cronograma apresentado durante a fase de concorrência.
Não é só isso. A utilização do local permitirá aos artistas materializar a filosofia do grupo que desde sua criação há cinco anos procura realizar um trabalho o mais honesto possível. A gente só tem que fazer teatro que a gente goste, porque as dificuldades de produção são sempre as mesmas, resume Pazello. Dentre as coisas que escolhemos fazer está a arte. Entendemos que tudo é cultura, mas nem toda cultura é arte, emenda Sílvia.
A Confraria só existe pelo idealismo de seus integrantes, afirmam os dois. Não houvesse esse entendimento do fazer teatral, e não seria possível à Confraria estar há cinco anos na cena curitibana. No momento a intenção é trabalhar a solidão que envolve o homem neste final de século. Mesmo a comédia deve trazer nas entrelinhas alguma coisa reflexiva. Se o espetáculo não tiver uma proposta, não haverá interesse de nossa parte, avisam.
É o que acontece com as peças infantis. Elas se fundamentam em dois canais essenciais, conforme Sílvia: ter um conteúdo didático e direcionar-se também para uma clientela absolutamente carente. Juca na Caixa é um exemplo bem-acabado de como isso funciona, pois assim como é cartaz da sala de espetáculo também vai parar nas salas de aula, nas creches, hospitais, enfermarias, através da Rede Sol, mantida pelo município.
Pazello e Sílvia reclamam que quiseram doar outro espetáculo infantil, O Pirata, para escolas da periferia, mas nenhuma delas aceitou. Era preciso levar os alunos até o teatro e eles não tinham condições de promover o transporte. Foi um choque para os artistas.
A linha que direciona os passos do grupo é nítida e democrática. Para que um novo projeto seja aprovado é preciso antes de tudo dissecá-lo até o esqueleto. As discussões em torno demandam cerca de três meses, e só então dá-se início à sua concretização. Neste grupo os atores são donos do espetáculo, observa Pazello.
Pazello e Sílvia afirmam que Curitiba não conhece seus artistas. Eles, especialmente. Então, ao final do espetáculo, quando espectadores entusiasmados perguntam quando vocês voltam ao Rio?, é como se recebessem um troféu às avessas. Traduz-se aqui o elogio. Não passa pela cabeça deles que a gente é daqui mesmo, de Curitiba.
Uma das vezes em que isso aconteceu foi ao final de uma sessão de A Mulher, no Teatro Lala Schneider, ano passado. Duas mulheres chiquésimas esperaram a atriz na rua para confessar: Não sabíamos que você existia.A Confraria Cênica Ltda oferece ao público uma intensa programação cultural até dezembro e estréia hoje o espetáculo O Sofá
DivulgaçãoA peça O Sofá, que estréia hoje, é a montagem mais ambicionada pelos atores da Confraria CênicaDivulgaçãoDivulgaçãoCom direção de Lala Schneider e interpretação de Sílvia Monteiro, o monólogo A Mulher pode ser revisto no Teatro Novelas Curitibanas





