Teatro em casa própria
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Sada conta que a Escola de Teatro Cena Hum vai ter oito estúdios, além do teatro que pode se alugado para outros grupos
Depois de 14 anos funcionando, três casas alugadas e o investimento em reformas perdido - já que com o vencimento do contrato de aluguel era preciso mudar-se e deixar tudo para trás - a escola de Teatro Cena Hum ganha sede própria e planeja inauguração de um teatro de 150 lugares para o final do ano. Por enquanto, os atores estão dividindo os ensaios dos espetáculos com as obras, mas ninguém reclama. ''É a realização de um sonho'', diz o ator, diretor e fundador da escola George Sada.
Ele decidiu trocar a instabilidade do aluguel e investir num financiamento de uma casa de 1,2 mil metros quadrados, no bairro São Francisco, pertinho de Centro Histórico da cidade. Levou para lá toda a estrutura e história de uma escola que já recebeu cerca de 3 mil alunos e forma cerca de 200 alunos de teatro por ano. Os números impressionam. Só no ano passado, foram realizadas cerca de 40 montagens pela escola, entre espetáculos profissionais e amadores. Por um deles - ''Entre Lágrimas e Cutículas'' - Sada recebeu Melhor Direção no Prêmio Gralha Azul.
O diretor acredita que a mudança veio em boa hora, já que as montagens realizadas pela Cena Hum vêm ganhando estabilidade. ''E credibilidade'', conforme ressalta. Com a reforma, a escola vai ganhar oito estúdios, além do teatro que vai atender a demanda dos espetáculos montados pela Cenha Hum e terá a possibilidade de ser alugado para outros grupos. ''É diferente você projetar um espaço. Eu sempre parto do princípio do conforto do público e isso vai ser possível encontrar nesse teatro'', garante Sada. O projeto, tanto do teatro como da reforma da casa, é do arquiteto Gastão Lima, conhecido por executar os projetos de bares badalados da cidade.
A mudança também vai abrir espaço para outras áreas de trabalho. A Cena Hum quer montar uma companhia de dança, oferecer cursos de artes circenses e formar um coral cênico. Até o final do ano, a escola e companhia de teatro deve montar três espetáculos profissionais e outros 20 amadores. ''Agora é tudo ou nada'', brinca Sada.
Outras escolas e companhias também apostaram nesse investimento e não se arrependem. A Escola do Ator Cômico, que tem 15 anos de existência, funciona em sede própria há oito anos. ''As condições para montar espetáculos melhoram bastante. Você não tem que ficar correndo para pagar aluguel e pode investir em produções independentes, sem apoio das leis de incentivo'', analisa o diretor Mauro Zanatta, que fundou a escola.
Quando comprou a casa, no Rebouças, ele também investiu em reformas e na construção de um teatro, que tem 60 lugares. A escola funciona ali, num espaço de 240 m2, mas com um diferencial. Zanatta não aluga o teatro para produções de fora, com poucas exceções. ''Só montamos os nossos espetáculos ou recebemos aqueles que têm uma linha de trabalho bem definida, que acreditamos'', diz.
Mas o fato de ter espaço próprio, não impede os espetáculo montados na Escola do Ator Cômico de buscarem outros espaços mais tradicionais para se apresentarem. Em novembro, por exemplo, a escola vai estrear montagem no Mini-Guaíra. ''Os atores precisam ter essa experiência e nosso espaço ainda não tem uma projeção muito grande. Isso vai sendo conquistado'', pondera. E depois de conquistar o sonho da sede própria, esse é mais um desafio que as companhias precisam superar. Nesse caso, o tempo e boas montagens são aliados.


