Teatro é coisa para museu
TEATRO É COISA PARA MUSEU
Uma peça de teatro especialmente encomendada envolve e apresenta à platéia as obras do Museu de Arte do Paraná
O texto é flexível
e permite improvisos
nas apresentações
A visita animada
passeia por dois
andares do museu
Zeca Corrêa Leite
Albari Rosa
Uma mulher é abandonada pelo noivo na Europa. Vestida com as roupas das bodas, inclusive de véu e grinalda, ela invade o Museu de Arte do Paraná (Map), em Curitiba, e interrompe as explicações do monitor, ocupado em mostrar a um grupo de estudantes, o fascínio das obras ali expostas.
Os colegiais - que vão dos cinco aos 15 anos - sem querer acabam envolvidos pela peça Procurando por Ti, que tem por objetivo justamente conquistar a platéia e apresentar o próprio museu, falar de seus artistas e suas obras. A experiência vem movimentando as manhãs do Map, e divertindo a garotada. O projeto tem mais três sessões: dias 13, 27 e 31 de maio.
Albari Rosa
A peça Procurando Por Ti é toda encenada no Museu de Arte do Paraná e aproxima as crianças das obras de arteAchar uma maneira de atrair o jovem para as artes era um desafio para Celise Niero, responsável pela Coordenadoria de Ação Cultural da Secretaria da Cultura e pela diretora do Map, Maria Cecília de Noronha. Convidaram então um grupo de quatro atores para criar uma peça com finalidades específicas. Assim nasceu Procurando por Ti - uma montagem coletiva.
Lugar de sensaçõesO elenco - Itaercio Rocha, Olga Romero, Odílio Malheiros e Cristiana Gonzaga - passou um mês estudando as obras, seus autores e as técnicas utilizadas. Aos poucos montaram o texto, bastante flexível para os improvisos de cada dia.
O enredo é simples e fantástico: a noiva Itala Valdo (Olga Romero) não é mais uma mocinha, e surge toda espalhafatosa à procura do noivo, interrompendo a aula. Bonecos enormes servem de personagens coadjuvantes, e nos diálogos mantidos com o professor/monitor sêo Antonio (Itaercio Rocha) comentam o valor representado pelo museu.
O museu é um espaço para a pessoa vir e ter sensações, alegrias, tristezas. Aqui a gente vê que o homem se vai, mas deixa perpetuada sua obra, afirma Rocha. As vaidades, ganâncias, grandezas e misérias são enterradas com o morto, porém a arte permanece inalterada.
O espetáculo tem essa intenção, mas a profundidade do pensamento não está no texto. Os diálogos são breves, coloquiais e engraçados. A platéia transforma-se em ativos coadjuvantes ao mesmo tempo em que recebe informações sobre os mestres como Guido Viaro, Miguel Bakum, Leonor Botteri, Alfredo Andersen, até chegar aos contemporâneos.
É uma viagem pelo tempo. Dos figurativos aos impressionistas e expressionistas, às esculturas, paisagens e auto-retratos há muito que se ver. Inclusive o jogo de luz e sombra dos quadros; as linhas das esculturas de Stenzel, a tensão que pode existir sob as tintas. Tem vezes que é preciso olhar bastante para ver os mistérios que o quadro tem, diz sêo Antonio.
Valsa para a noivaA visita animada no Map começa no térreo e termina no primeiro andar. Mas até que a noiva desvairada encontre num pintor (Odílio Malheiros) o seu grande amor, muitas são as investidas delas sobre o ingênuo que não percebe o poder de fogo de suas palavras. Porém, espera-os um final feliz, com uma valsa sendo tocada para a estouvada e simpática Itala.
Essa história de um coração em pedaços que num encontro mágico se refaz, deixa atrás de si algumas descobertas. Eu não era muito ligado a quadros. Depois do que vi aqui, vou me ligar mais, prometeu Carlos Augusto de Barros Gomes, 16 anos. Igor Formin, de 15 anos, gosta de pintura e algumas vezes esteve no Museu Metropolitano de Arte, no bairro do Portão.
Com uma história em cima, foi mais fácil apreender a beleza da arte. A sala dos artistas contemporâneos ganhou disparada no seu gosto. Flávia Treglia, 12 anos, achou interessante a casa invisível de Bakun, apenas sugerida nos traços do artista. Eduarda Zandoná, 7 anos, Juliana Bley e Maria Fernanda, ambas de 5 anos, se encantaram com tudo.
AliançaAndré de Paula Nischimura, 14 anos, entrou pela primeira num museu nesse dia de espetáculo. Os detalhes das esculturas, as pinturas, o trabalho dos atores: nada escapou da sua percepção.
Envolvido com a história da mulher que vinha de um país distante e acaba se enredando com a suavidade de um jovem pintor, tentou dar uma mãozinha ao destino e apressar o final feliz. Quando Itala reclama ao moço que queria firmar noivado com ele, ouve como resposta que falta uma aliança.
Onde arranjar uma aliança? André de Paula contaria depois que na hora sentiu uma pena da noiva. Pediu emprestado o anel de uma colega e, interrompendo a cena, mostrou exultante a jóia. Ainda não era chegada a hora, mas todo o elenco se emocionou.
Procurando por Ti, espetáculo levado no Museu de Arte do Paraná, para ilustrar a criança sobre as artes plásticas. Próximas apresentações dias 13 e 27 às 10 horas e 31 ao meio-dia. As escolas devem agendar as visitas através do fone 323-1617. O Map fica na Rua Kellers, 289.





