Teatro de rua
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de março de 2010
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A tradição do teatro de rua, centrada no contato direto entre atores e espectadores, tem no grupo gaúcho Ói Nóis Aqui Traveiz um de seus mais significativos representantes no Brasil.
Com 32 anos de experiência, a ''tribo de atuadores'' - como seus integrantes gostam de ser denominados - desembarca esta semana em Londrina para cumprir uma intensa agenda de atividades que inclui apresentação de espetáculo, palestra e workshop.
A trupe traz um elenco de 26 atores. A passagem pela região faz parte de um projeto patrocinado pela Pebrobrás, através da Lei de Incentivo à Cultura e pelo qual o grupo percorrerá 12 cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.
''Da última vez que estivemos aí, há uns três anos, levamos um espetáculo sobre a saga de Canudos'', lembra o ator Clélio Cardoso. Segundo ele, o teatro de rua oferece ''uma outra vibração'' à platéia: ''Quando vamos à rua, atingimos uma gama maior de público, inclusive pessoas que talvez jamais assistiriam a um espetáculo numa sala tradicional. Além do mais, levamos a provocação e o inusitado ao tomar de assalto um determinado ponto da cidade atraindo a atenção dos transeuntes. É uma manifestação mais viva, uma vibração diferente'', salienta.
Aqui, a vinda do grupo tem promoção da Funcart (Fundação Artística de Londrina). A programação começa hoje, às 16 horas, no Calçadão com a apresentação da peça ''O Amargo Santo da Purificação - Uma Visão Alegórica e Barroca da Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella''. O personagem homenageado no espetáculo é uma figura mítica da esquerda brasileira.
Foi considerado o ''inimigo público nº 1'' do regime militar. Fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de luta armada que defendia o ideário comunista, Marighella morreu em 1969 durante uma emboscada do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) em São Paulo. ''Aproveitamos a figura dele para contar um período da História do Brasil, que vai do Estado Novo (1937-1945) até a ditadura militar (1964-1985)'', diz Cardoso.
Apesar da densidade temática, a encenação tem um tratamento alegórico, dotado de leveza e narrativa colorida. A peça parte de poemas escritos por Marighella que, transformados em canções, tornam-se o fio condutor da montagem. O resultado é uma fusão de ritual com teatro dança, acentuado pelo uso de máscaras e elementos da cultura afro-brasileira. De acordo com a produção, se chover, a apresentação fica automaticamente transferida para amanhã, no mesmo horário.
Amanhã, às 19 horas, o grupo faz uma palestra na Escola Municipal de Teatro (Rua Acre, 315). Paulo Flores e Tânia Farias falam sobre a tradição do teatro de rua como forma de democratizar o espaço cênico e sobre a trajetória da companhia, que desde 1978 desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa em relação à linguagem cênica e ao processo criativo do ator.
Na quinta-feira, também na EMT, eles coordenam o workshop ''Teatro de Rua - Uma Vivência com a Tribo'' com início às 14 horas. Em um encontro de quatro horas, a oficina investigará o movimento e a voz para a ampliação do corpo do ator e a ocupação do espaço urbano. Todas as atividades serão gratuitas e abertas ao público em geral.
SERVIÇO
■ O Amargo Santo da Purificação Uma Visão Alegórica e Barroca da Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella
Quando - Hoje, 16h
Onde - Calçadão de Londrina
■ Palestra Ói Nóis Aqui Traveiz - 32 anos: O Teatro de Rua no Brasil
Quando - Amanhã, 19h
Onde - Escola Municipal de Teatro (Rua Acre, 315), em Londrina
■ Workshop Teatro de Rua - Uma Vivência com a Tribo
Quando - Quinta-feira, 14h
Onde - Escola Municipal de Teatro (Rua Acre, 315), em Londrina
Mais informações - (43) 3323-0945


