Teatro de raízes populares
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de março de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
As manifestações populares de raiz, fontes inesgotáveis para a produção teatral das regiões Norte e Nordeste do País, norteiam grande parte das pesquisas desenvolvidas pelo grupo Quem Tem Boca é Pra Gritar, de João Pessoa (PB), um dos participantes do 14º Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua, que acontece na cidade a partir da próxima sexta-feira.
Antecipando o Encontro, a trupe dirigida por Humberto Lopes conduz uma oficina para atores locais hoje, amanhã e quinta-feira, das 19h às 22 horas, na Vila Cultural AlmA Brasil (Rua Mar Del Plata, 93). A taxa de participação é de R$ 60 para os três dias. "Vamos passear por tradições como o cavalo marinho, o maracatu rural e o coco de roda mostrando suas possibilidades cênicas para a formação do ator e a construção teatral. Será uma oportunidade para as pessoas terem contato com essas manifestações linkadas à pesquisa do teatro de rua", explica o diretor.
Para o terceiro e último dia de atividades está prevista uma demonstração do trabalho em algum espaço público, com presença dos oito atores da companhia e os alunos do curso. A intervenção poderá ocorrer no Calçadão, na Concha Acústica ou em outra praça da área central. Fundado há 28 anos, o Quem Tem Boca é Pra Gritar surgiu a partir de um curso de teatro realizado numa escola de ensino médio na capital paraibana.
Seus integrantes representam, tocam e cantam. A cada montagem, eles convidam um compositor diferente para fazer as músicas do espetáculo. As encenações mesclam elementos de folguedos populares, commedia dell´arte e expressionismo alemão. Em sua sede, originalmente um prédio em ruínas tombado no Centro Histórico de João Pessoa, desenvolveram o que chamam de "Universidade Livre de Teatro" - um curso de formação de atores fora dos moldes acadêmicos. "Nosso foco é a pesquisa de teatro de rua, em torno da qual já montamos cerca de 13 espetáculos. Também já realizamos oito peças para palco italiano", diz Lopes. O grupo inspira-se sobretudo no auto do cavalo marinho, do qual se alimenta da gestualidade para a construção da energia corporal do ator atuante na rua. Típico da Zona da Mata Setentrional de Pernambuco, Alagoas e agreste da Paraíba, o folguedo integra o ciclo de festejos natalinos dessas regiões prestando homenagem aos Reis Magos.
Assemelha-se ao reisado, ao bumba-meu-boi e a outros folguedos brasileiros, bem como certas manifestações populares cênicas de Portugal, como o boi fingido e a nau-catarineta. As apresentações ocorrem ao som da orquestra conhecida como banco, composta de rabeca, ganzá, pandeiro, bage de taboca e zabumbas. Uma apresentação pode ter duração de oito horas seguidas. Os brincantes - tradicionalmente todos homens - assumem diferentes papéis, mediante a troca de roupa ou de máscara. O auto reúne encenações, coreografias, improvisos e toadas, além de uma série de danças tradicionais, tais como o coco, o mergulhão e a dança de São Gonçalo.
Encerrada a oficina, a trupe do Quem Tem Boca é Pra Gritar participa do 14º Encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua, que começa na próxima sexta e prossegue até o dia 27 de março reunindo cerca de 200 artistas de diversas regiões do País .
Serviço:
Oficina "Uma Possibilidade Corpórea para o Ator na Rua (partindo do cavalo marinho)" com o grupo Quem Tem Boca é Pra Gritar
Quando: Hoje, amanhã e quinta-feira das 19h às 22 horas
Onde: Vila Cultural AlmA Brasil (Rua Mar Del Plata, 93, Vila Brasil), em Londrina
Taxa de participação: R$ 60,00 (para os três dias)
Informações: (43) 3326-2672


