Teatro da Classe reabre hoje
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sexta-feira, 26 de junho de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Parece mentira, mas depois de uma longa novela o Teatro da Classe finalmente reabre suas portas, na Rua Treze de Maio, 655, em Curitiba. Foram mais de dez anos fechado, com sucessivas reformas e datas proteladas sobre possíveis reinaugurações. Nesta nova fase surge com outro nome: Teatro José Maria Santos.
A denominação é uma homenagem ao ator falecido no final dos anos 80, que marcou sua carreira com a peça Lá, de Sergio Jockiman. O monólogo ficou anos em cartaz, e com ele Zé Maria correu o País. A iniciativa da homenagem partiu do jornalista Ruy Barrozo. Segundo Lúcia Camargo, José Maria Santos foi o grande sonhador do Teatro da Classe.
A solenidade de inauguração está marcada para hoje, às 10 horas, com as presenças do governador Jaime Lerner, da secretária da Cultura Lúcia Camargo e de Mônica Rischbieter, diretora-presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra. Após a cerimônia será apresentada a peça infantil Seroc - Um Mundo de Cara Nova, produzida por Regina Vogue.
A nova casa é intimista - a platéia tem capacidade para 177 espectadores. O palco mede 85 metros quadrados; o sistema de iluminação conta com uma mesa de 48 canais e 120 unidades entre projetores e refletores. É mais um espaço para o público e a classe teatral, numa cidade tão envolvida com as artes cênicas, comenta Mônica.
O Teatro da Classe existiu durante quatro anos, entre 1982 e 1986, pelo esforço dos artistas e, especialmente, pela teimosia de José Maria Santos. Sem condições de sobrevivência, a casa passou a se chamar Teatro Treze de Maio, comandada por um grupo ainda da classe, embora mais restrito.
A programação era variada e alternativa, diferenciada a cada dia da semana. Nesses tempos assistia-se a uma entrevista de Paulo Leminski, ao concerto do Madrigal Pró-Arte ou a programas especialmente roqueiros. Dança e música sertaneja estavam incluídas no roteiro. O teatro comandava as sessões de quarta a domingo.
Problemas legais com os proprietários, que pretendiam derrubar o prédio para transformar o local em estacionamento, deram início à novelesca conquista. O vaivém da Justiça teve fim com o tombamento do imóvel pela Secretaria da Cultura, tornando-se assim Patrimônio Histórico do Estado. Foi em 1989. Em 1991 a Assembléia Legislativa denominou o espaço de Teatro José Maria Santos.
Ao contrário do que costuma acontecer, não foi produzido um espetáculo especialmente para a abertura do novo espaço. A estréia acontece com peças infantis já apresentadas nos palcos curitibanos. É o caso de Seroc, que traz no elenco Daniele do Rosário, Laércio Perle, Márcio Juliano, Melina Mulazani, Richard Rebelo. O texto é de Enéas Lour, direção de Maurício Vogue. No domingo tem duas sessões: às 10h30 e 15h30.
Com as férias de julho, a casa aproveita para realizar uma Mostra de Teatro para Crianças. As demais atrações são Uma Estória da Nossa História (dias 4 e 5). A Cigarra e Formiga (dias 11 e 12), A Pequena Sereia (dias 18 e 19), Romeu e Julieta (dias 25 e 26). As sessões acontecerão aos sábados, às 15h30, e aos domingos, às 10h30 e 15h30. O ingresso custa R$ 8,00 e R$ 5,00 (bônus).


