Teatro como perspectiva
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de agosto de 2007
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Mais subversivo que o pior entorpecente é a capacidade de usar o pensamento crítico para buscar alternativas de vida mais saudáveis e conscientes. Esta é a idéia do projeto ''Criando a Liberdade'', de oficinas teatrais com detentos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que vem sedimentando boas experiências em seus quatro anos de atuação, com apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Para registrar e dar mais visibilidade à iniciativa, foi lançado ontem o livro-reportagem homônimo sobre o projeto, escrito pelo jornalista e ator Apollo Theodoro. O evento foi realizado no pátio da PEL.
Theodoro, que durante três meses participou das oficinas teatrais com os internos, ressaltou que o que mais chamou a sua atenção foi verificar na prática que há uma geração inteira de jovens encarcerados. ''O teatro é uma linguagem poderosa e serve de instrumentalização para novas perspectivas de futuro para essas pessoas, que vão continuar enfrentando uma realidade difícil quando saírem da prisão'', afirmou. ''Não sabemos se esse trabalho irá conseguir redimir alguém, mas com certeza já proporciona um auto-controle maior, melhora o relacionamento dos internos com os familiares e a convivência local fica mais humanizada'', acrescentou.
Um bom exemplo disso é a história de Sidney dos Santos, 29 anos, que desde o início participa do projeto. Preso por latrocínio aos 18 anos, hoje ele cumpre regime semi-aberto e já se organiza para voltar a estudar e trabalhar. ''No começo não gostava de teatro, mas ele mudou minha maneira de me relacionar com as pessoas. Hoje valorizo o diálogo'', disse.
O projeto é coordenado pelos atores Ed Sombrio, Letícia Ferreira e pela psicóloga Ana Cláudia Berehulka Sardinha. Haverá um lançamento aberto do livro em setembro, durante a feira de literatura Londrix.


