Uma peça dentro da peça. O espetáculo ''O Filhote de Elefante'', montado por alunos da Escola Municipal de Teatro de Londrina, utiliza-se da metalinguagem para explorar algumas questões que se tornaram marcas registradas da obra de seu autor - o dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956).
A peça será apresentada hoje, amanhã e sexta-feira, às 20h30, no Circo Funcart. A direção é de Ana Carolina Ribeiro e Guilherme Kirchheim. O elenco que sobe ao palco é formado por alunos da turma avançada vespertina da EMT. Brecht concebeu ''O Filhote de Elefante'' como um apêndice da peça ''O Homem é um Homem'', escrita em 1924 e encenada dois anos depois.
A trama é ambientada num acampamento militar onde soldados decidem montar e apresentar uma peça teatral entre eles. A peça dentro da peça trata do julgamento de um filhote de elefante acusado de matar a própria mãe. A encenação em forma de metateatro expõe princípios do teatro épico, teorizado por Brecht e preconizado em termos e expressões como ''distanciamento'' e ''quebra da quarta parede''.
Seu propósito não é ''envolver'' o espectador na história, mas justamente romper a relação afetiva-emotiva da plateia com o que se passa no palco lembrando-a a todo momento que aquilo é uma encenação. Daí que na montagem dos londrinenses metade do elenco se mistura aos espectadores, manifestando-se nas poltronas em relação à peça encenada dentro da peça.
''Os atores saem das poltronas e sobem ao palco sem pudores, quebrando a quarta parede'', assinala a diretora Ana Carolina Ribeiro. Nesse procedimento, segundo Kirchheim, há uma crítica de Brecht à passividade do público em geral: ''Para o autor, o público de teatro aceita o espetáculo sem questioná-lo, sem tomar uma posição, sem interferir nele. Ele fazia um paralelo com o esporte no qual o público paga o ingresso e se manifesta com gritos, ao contrário do público de uma obra cênica''.
De acordo com Carolina, a montagem também aborda o fazer teatral e os auto-questionamentos do ator, suas inseguranças e dilemas. Segundo ela, a adaptação mantém referências ao texto original, mas traz algumas situações para os dias atuais, ''como numa cena em que um personagem atende um celular''. Os dois diretores salientam que a montagem contém doses de humor e toques de absurdo.
A trilha sonora mescla sonoplastia e música ao vivo com os atores interpretando temas de própria autoria. O elenco é formado por Adriano Gouvella, Azucena Geymonat, Ana Luisa Preto, Barbara Blanco, Barbara Guizelini Kohatsu, Isabela Ribeiro, João Mateus Dutra, Maíra Gabriella e Mateus Dinali. A peça tem duração de 45 minutos e faz parte da ''1 Mostra Funcart'' que, desde quarta-feira da semana passada, vem apresentado espetáculos de dança e teatro em diferentes espaços da cidade.

Serviço:
- Espetáculo ''O Filhote de Elefante'' com formandos da Escola Municipal de Teatro
Quando - Hoje, amanhã e sexta-feira às 20h30
Onde - Circo Funcart (Rua Souza Naves, 2.380), em Londrina
Quanto - R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Informações - (43) 3342-2362

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